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Clipping

22/10/2010 às 12:52

100% nacional, empresa aposta em triple play fora dos grandes centros

Escrito por: Ana Paula Lobo
Fonte: Convergência Digital

Depois de dois anos de desenvolvimento, a Orange, unidade de negócios da brasileira Bichara Tecnologia, traz ao mercado a plataforma DSX, capaz de permitir até 7500 ligações simultâneas e voltada para pequenos provedores e operadores de TV a cabo.

Dois contratos já serão assinados no Futurecom - com empresas do Ceará e do Maranhão - e há também a expectativa de fechar alianças comerciais com chineses para viabilizar a produção local de equipamentos para GPON, o próximo passo da companhia.

"Nossa plataforma é muito simples, mas foi toda pensada e estruturada por desenvolvedores brasileiros, no nosso centro de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é adequada à realidade do Brasil onde falta infraestrutura de telecomunicações fora do grandes centros", conta Daniel Bichara, diretor da Bichara Tecnologia, dono da Orange.

"O nosso produto é para o provedor de TV a cabo ou para o provedor de Internet que quer ampliar seus negócios e a telefonia é, sim, uma fonte de receita porque em muitos municípios não há a oferta adequado do produto pelas concessionárias", acrescenta o executivo.

E para ampliar sua meta de negócios, a Orange aposta no Plano Nacional de Banda Larga. Caso haja uma mudança de curso na iniciativa - em função da eleição presidencial e de uma possível mudança de governo - a unidade deverá alcançar uma receita de R$ 6 milhões a R$ 7 milhões, apenas com a parte de telefonia, sem a oferta de IPTV, mantida para o segundo semestre de 2011.

Mas caso o PNBL se concretize e chegue, de fato, às 100 cidades iniciais ainda em dezembro e mantenha o cronograma de atuação para 2011, a rentabilidade pode mais que dobrar e essa evolução antecipará ainda a oferta dos produtos de IPTV, inclusive no modelo de cloud computing.

"Sei que é um avanço tecnológico grande para esses operadores de médio porte ( com até 50 mil assinantes) mas eles já têm a programação de TV e, portanto, precisam apenas de tecnologia para oferecerem, por exemplo, pay-per-view para os seus clientes. Nós entramos com a tecnologia - equipamentos e bilhetagem adequada - para suportar essa nova demanda", observa Bichara. Outro grande mercado potencial é o das MVNOs, operadoras virtuais, que devem estar regulamentadas em 2011.

A Orange chega ao mercado para disputar mercado com tradicionais fornecedores brasileiros - Trópico e PadTec, mas não afasta concorrer com as multinacionais nas concessionárias. "Temos produto, tecnologia nacional e preço compatível com a realidade. Temos, agora, que conquistar espaço nas teles", salienta Bichara.

Os recursos para o desenvolvimento da plataforma - estimados em R$ 5 milhões - foram obtidos da receita da própria companhia, que atua ainda na construção civil e em reflorestamento, além de TI. O capital da Bichara Tecnologia é dos cinco sócios, todos brasileiros. Não houve nenhum recurso público.

"A Finep profissionalizou muito o processo de subvenção, mas a quantia disponibilizada é baixa para produtos de alta tecnologia. Já o BNDES exige muito mais do que é possível. Se precisamos de 10, eles pedem 12 de garantia. Isso não é possível na realidade do Brasil. A saída foi reaplicar o lucro da empresa para termos os recursos", salienta Bichara.

E há novos planos pela frente,em especial, na área de GPON (Gigabite Passive Optical Network), um multiplexador (dispositivo de convergência de dados) que permite estender o acesso banda larga em 100 até a casa do usuário final através de fibra ótica.

A ideia é fabricar a OLT (Optical Line Termination), sistema equivalente ao DSLAM, do ADSL, além da CPE, para o consumidor final. Para isso, o Futurecom 2010 terá papel relevante. A empresa terá reuniões com três potenciais parceiros - todos da China - no evento.