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Clipping

03/02/2014 às 07:06

A família brasileira

Escrito por: Redação
Fonte: Folha de São Paulo - Impressa

O que mais chocou a opinião pública foi o personagem maconheiro não morrer logo após fumar maconha

Maio de 2034: Duas décadas após o célebre beijo gay de Mateus Solano e Thiago Fragoso em "Amor à Vida", as novelas finalmente deram outro passo significativo. Ontem, pela primeira vez na história, um personagem fumou um baseado na Rede Globo. Foi na novela "Paixão pelo Pecado", de João Emanuel Carneiro. A grande novidade chocou os conservadores. "É a ditadura do baseado", clamou o líder da bancada evangélica. O que mais chocou a opinião pública foi o personagem "maconheiro" não morrer logo após fumar maconha. Associações cristãs estão processando a Globo por calúnia e exigem que o personagem morra para dar exemplo. O autor disse que o personagem irá morrer, mas não de maconha.

Agosto de 2057: Mais de vinte anos após o primeiro baseado, a Rede Globo volta a chocar a opinião pública. Ontem, em "Flerte Fugaz", nova novela das onze, pela primeira vez um personagem fez um aborto e não se arrependeu. Jamilly, interpretada por Marina Ruy Barbosa, fez um aborto seguro e saiu da clínica com um sorriso no rosto, aparentando estar satisfeita. Gabriel Esteves, autor da trama, afirma que não é sempre que o aborto é sucedido de desespero e vontade de se matar. Marina Ruy Barbosa se pronunciou contra o "aborto sem arrependimento". "Nunca fiz um aborto, mas, se fizesse, me arrependeria", afirmou em seu Twitter. Conservadores especularam que a cena teria sido financiado por grandes entidades abortivas. O Projac amanheceu pichado com os dizeres "é a ditadura do aborto".

Janeiro de 2081: Em sua primeira novela exclusivamente para a web, a Rede Globo inovou. Em uma cena entre jovens, um deles pronunciou a palavra "Google". É a primeira vez que a Rede Globo usa o termo, apesar de já estar dicionarizado desde 2015. Antes do episódio personagens de novela se referiam ao Google como um "site de busca". Conservadores indignados afirmaram se tratar de um merchandising disfarçado, já que a emissora faz parte do grupo Google. O autor Manoel Carlos, último remanescente da velha guarda da emissora, pediu desculpas ao público conservador mas afirmou se tratar de uma tendência. "A novela é um retrato da vida, e a vida está cheia de marcas". Em seguida, afirmou estar estudando usar as palavras "Facebook" e "YouTube", ao invés do costumeiro "redes sociais". Críticos afirmaram se tratar de um lobby das grandes corporações para a dominação mundial. "A família brasileira não está pronta para isso. É a ditadura do Google", afirmou o cardeal em seu Twitter.