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Clipping

03/11/2015 às 16:14

'A morte é fiel companheira do jornalismo no México', aponta correspondente do 'El País'

Escrito por: Redação
Fonte: Portal Imprensa

Jornalista relata perigo de trabalhar como imprensa no México

Em artigo publicado nesta terça-feira (3/11) no El País, o jornalista Jan Martínez Ahrens, correspondente do jornal no México, relatou as dificuldades em exercer trabalhos jornalísticos no país, que sofre com o alto índice de violência gerado pelo domínio do narcotráfico e pela falta de atuação do estado na resolução de crimes contra a imprensa.  
 
No texto, Ahrens ressalta como a censura tem se tornado cada vez mais presente na atuação diária dos jornalistas mexicanos. O estado de Veracruz, que detém o mais alto índice de violência contra jornalistas, também é o bastião da repressão contra profissionais da imprensa, segundo o repórter. 
 
"A morte é uma fiel companheira do jornalismo no México. Às vezes espera na porta da redação, outras no carro ou mesmo na própria casa do repórter. Sob essas condições extremas, existem amplas áreas no México onde a liberdade de expressão não existe. Tamaulipas e Veracruz são prova disso. Ali, os meios de comunicação locais evitam falar do narcotráfico ou da violência. As informações não são assinadas. As palavras são distorcidas. Os pistoleiros são chamados de civis armados; os assassinados, abatidos. A rede é perversa. Depois do crime, vem a autocensura. O jornalismo se torna um morto-vivo. E quem procura reanimá-lo, paga. Às vezes nem precisa matar. Basta mostrar os dentes", descreveu. 
 
Dando exemplos, como a do jornalista Moisés Sánchez Crespo, editor do pequeno semanário La Unión, de Veracruz, assassinado em janeiro deste ano, Ahrens aponta como a "imprensa nanica" mexicana tem sido drasticamente assolada pela violência. 
 
"Não existe um padrão universal, mas o crime costuma buscar os mais fracos. Jornalistas de veículos pequenos, com pouco amparo e quase nenhuma segurança. Nas mãos do narcotráfico e das autoridades locais, sua morte vale como recado. Para os colegas e para a sociedade. Mas não vem sozinha". 
 
Ahrens ainda usou levantamentos feitos por entidades jornalísticas para apontar a difícil realidade da imprensa mexicana. De acordo com a Classificação Mundial para a Liberdade de Imprensa, o México ocupa o 148° lugar, entre 180 países levantados. 
 
A impunidade no país, segundo o repórter, também é fator fundamental na compreensão da atual situação da mídia mexicana. "Permanecem sem culpado 90% dos ataques à imprensa", completa.