Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

21/07/2010 às 05:03

A SIP e o presidente

Escrito por: Editorial
Fonte: Diário Catarinense

Foi equivocada a crítica feita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo presidente do Comitê Executivo da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Alejandro Aguirre, em recente reunião da entidade realizada nos Estados Unidos. Ao classificar de falsos democratas os chefes de Estado sul-americanos que se elegeram democraticamente mas usam o governo para reduzir a liberdade de imprensa, o senhor Aguirre colocou Lula no mesmo plano de mandatários que mantêm conflitos permanentes com os meios de comunicação em seus respectivos países, alguns dos quais como Hugo Chávez, da Venezuela protagonistas de ataques sistemáticos à liberdade de expressão.

Lula não faz parte desse time. Ainda que seus sete anos de governo tenham sido marcados por algumas investidas autoritárias contra a liberdade de expressão, todas foram superadas com diálogo. Foi assim na tentativa de criação do Conselho Federal de Jornalismo, foi assim na abortada intenção de expulsar o jornalista Larry Rohter, foi assim com a inserção de restrições aos meios informativos no Programa Nacional de Direitos Humanos e tem sido assim cada vez que algum burocrata ressuscita o chamado “controle social da mídia”, eufemismo desgastado para justificar a pretensão do Estado de solapar o direito do cidadão de se informar livremente.

A bem da verdade, é impositivo reconhecer que o presidente brasileiro tem atuado com habilidade para conter os antidemocratas encastelados na sua administração. Como seu antecessor já havia feito em 1996, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva assumiu em 2006 o compromisso de respeitar a Declaração de Chapultepec – carta internacional de princípios elaborada pela SIP, que defende a imprensa livre como uma condição fundamental para que as sociedades resolvam os seus conflitos, promovam o bem-estar e protejam a sua liberdade. Até agora, pelo menos, ele vem honrando o compromisso. Tanto que a Associação Nacional de Jornais pretende propor brevemente que os três principais candidatos à sucessão presidencial façam o mesmo.