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Clipping

23/10/2013 às 09:33

Alcatel-Lucent inicia briga por fatia em 4G

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

A Alcatel-Lucent reconhece que perdeu muitas oportunidades na telefonia celular de terceira geração (3G), mas Michel Combes, presidente mundial da fabricante franco-americana de infraestrutura de telecomunicações, está no Brasil para recuperar presença no mercado. O executivo está atento à chegada da quarta geração de telefonia celular, a 4G. Veio fazer contatos e visitar potenciais clientes durante a Futurecom, evento que reúne, no Rio, até quinta-feira, prestadoras de serviços e fabricantes da área de telecomunicações.

Francês e com 51 anos, Combes assumiu em 1º de abril o comando da companhia que passou por complexa fusão entre a francesa Alcatel e a americana Lucent. O processo se refletiu no Brasil com a conquista de apenas um grande contrato de infraestrutura de 4G, assinado com a Oi, há um ano.

Combes disse ao Valor que a estratégia é conquistar uma nova posição nesse mercado, tendo como diferencial as microcélulas - estações radiobase de dimensões bem menores - que a companhia desenvolveu, que podem reduzir custos para as operadoras, além de exigirem menos espaço físico para instalação. Consequentemente, isso poderá facilitar a disseminação do serviço, espera ele.

"Já lançamos e testamos nossas microcélulas, ao contrário de concorrentes, como a Ericsson, que estão chegando agora, realizando ainda testes com a tecnologia. Chegamos antes. Além dos Estados Unidos, em clientes como Verizon e AT&T, na Europa temos um grande contrato com a Telefónica, na Espanha", disse Combes.

Há um mês, a Alcatel-Lucent fechou um acordo de desenvolvimento das microcélulas com a Qualcomm. A desenvolvedora americana está criando um chip especialmente para o produto, exatamente o que permite ter, na mesma célula, acesso de 3G, 4G e Wi-Fi.

No Brasil, as atenções da Alcatel-Lucent se voltam para a licitação da frequência de 700 MHz para disseminação da rede 4G. As operadoras brasileiras já oferecem o serviço na frequência de 2,5 MHz, mas o entendimento de especialistas é que o foco dos investimentos das teles será para a tecnologia combinada com 700 MHz. Isso porque os custos de implantação de rede são reduzidos por meio dessa faixa, cuja licitação está prevista para o primeiro semestre de 2014.

Segundo o executivo, as microcélulas criadas pela Alcatel-Lucent vão mudar a arquitetura sem fio das redes. Ele aposta no diferencial da companhia, que vem da experiência dos centros de pesquisas da Alcatel e do consagrado Bell Labs, dos Estados Unidos, que era um braço da Lucent e hoje é o centro de desenvolvimento da Alcatel-Lucent.

Além da telefonia celular, a franco-americana tem foco também em sistemas para redes IP, o protocolo da internet. "As operadoras vão migrar suas redes para IP, isso é certo", disse ele. Outro foco é o acesso para a chamada ultrabanda larga. Nela, a fibra óptica substitui o fio de cobre, permitindo maior qualidade e velocidade no serviço. A companhia está aumentando o investimento no desenvolvimento de tecnologia nessas áreas em 8% entre 2013 e 2015, frente ao que investia até 2012. Essas áreas vão representar 85% dos aportes da área de pesquisa e desenvolvimento da Alcatel-Lucent.