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Clipping

14/10/2013 às 16:57

Apesar dos downloads

Escrito por: elipe Marra Mendonça
Fonte: Carta Capital

A indústria fonográfica dá lucro, diz pesquisa

Pesquisadores da London School of Economics publicaram no início de outubro um relatório interessante sobre os efeitos da pirataria nas receitas das indústrias de entretenimento. O objetivo dos autores é influenciar o debate no Reino Unido, onde o governo parece ouvir somente o lobby da indústria ao repetir que “o crime de roubo de propriedade intelectual na internet é uma ameaça às nossas indústrias criativas”, como disse o secretário de Estado da propriedade intelectual, Lord Younger, em junho deste ano.

A verdade é diferente do que o governo gosta de propalar. A indústria continua a lucrar e a crescer, apesar da pirataria online. “Ao contrário do que sustentam seus executivos, a indústria fonográfica não está em declínio terminal, mas ainda mantém seu espaço e demonstra bons lucros. Receitas de vendas digitais, serviços de assinatura, streaming e shows compensam qualquer declínio na venda de CDs ou discos”, disse o professor Bart Cammaerts, um dos autores do relatório.

O mesmo acontece com a indústria cinematográfica, que, segundo os pesquisadores da LSE, continua a crescer ano após ano, mesmo com o advento de novas tecnologias facilitadoras da pirataria. “Apesar de a Associação Cinematográfica dos Estados Unidos dizer que a pirataria está acabando com a indústria do cinema, Hollywood conseguiu receitas de 35 bilhões de dólares em 2012, um crescimento de 6% sobre o valor registrado em 2011. A indústria musical pode ter estagnado, mas o declínio em receitas tão repetido pelos seus lobistas simplesmente não existe”, aponta o relatório.

O estudo da LSE junta-se a outro da União Europeia, de março passado, abordado nesta coluna, segundo o qual a pirataria quase não tem impacto sobre as vendas de CDs e DVDs.

Os estudos parecem apontar em apenas uma direção: a incompetência da indústria de entretenimento para encontrar um novo modelo de negócios capaz de suplantar a queda de consumo de formatos físicos como CDs e DVDs. A solução não é continuar a tachar os consumidores em geral como criminosos, mas oferecer opções mais atraentes de consumo legal. A avidez dos consumidores em assinar serviços de streaming como o Netflix é prova disso.