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Clipping

30/01/2014 às 14:10

Aplicativo de mensagens e ligações Viber abre escritório no Brasil

Escrito por: Redação
Fonte: O Globo Online

Equipe da companhia israelense em São Paulo vai focar na criação de conteúdo, como 'stickers', que atenda ao gosto brasileiro App diz já ter mais de 10 milhões de usuários no país

O Viber, aplicativo de mensagens e ligações do tipo VoIP (telefonia via internet) que diz possuir mais de 10 milhões de usuários brasileiros, está abrindo escritório no país. Segundo o fundador e diretor-executivo Talmon Marco, os internautas daqui podem esperar pela criação de conteúdos que atendam ao gosto do mercado local, como seus populares "stickers" (figurinhas mais elaboradas que emoticons).

- Nossa equipe no escritório em São Paulo certamente estará focada na elaboração desse tipo de conteúdo. Ele não será necessariamente exclusivo para o usuário brasileiro, mas será pensando de acordo com as prioridades dele - disse ao GLOBO por telefone o israelense Marco, que participa nesta quinta-feira do evento de cultura digital Campus Party, também em São Paulo.

O software afirma ter conquistado mais de 300 milhões de usuários mundialmente desde sua criação, em 2010. Há um ano, a start-up iniciou a expansão de sua presença física além dos limites de Israel, e o escritório brasileiro é o nono a ser aberto pela companhia. Quem comandará as operações em São Paulo é Luiz Felipe Barros, formado em comunicação social pela PUC-Rio e que trabalhou com marketing na última década, em agências como F.biz e Giovanni+Draftfcb.

O executivo israelense não informou a qual taxa vem crescendo a quantidade de usuários locais nem quais metas a companhia deseja atingir aqui.

'Skype não é nosso principal concorrente'

Marco não vê a má qualidade da internet móvel brasileira como empecilho para o crescimento de sua base de usuários. Segundo ele, mesmo uma capacidade mínima de tráfego já permite aos internautas enviar mensagens de texto e "stickers". Essas funcionalidades são justamente o foco da companhia por aqui. Tanto que, na visão do fundador, seus principais concorrentes são aplicativos como WhatsApp, WeChat e Line, não o Skype, firma da Microsoft focada em VoIP. A companhia calcula que seus membros trocam 35 bilhões de mensagens mensalmente, enquanto dedicam por volta de 125 milhões de horas em ligações telefônicas.

- Nosso diferencial frente aos competidores é oferecer várias funcionalidades, como mensagens, "stickers" e conversas por voz, e estar em praticamente todas as plataformas que existem - afirmou o diretor-executivo do Viber, disponível gratuitamente para iPhone e celulares e tablets Android, Windows Phone, Blackberry, Symbian, Nokia S40 e Bada, além de estar nos sistemas desktop Windows, Mac e Linux.

Embora sustente que o Skype não é seu principal rival, Marco gosta de dizer que a qualidade de suas conversas telefônicas é superior à do aplicativo da Microsoft. Além disso, a companhia israelense lançou recentemente o Viber Out, que permite realizar chamadas para telefones fixos e móveis, um dos motivos pelos quais o Skype substitui linhas telefônicas tradicionais em muitos escritórios pelo mundo.

Nessa seara, a estratégia do Viber é, por ora, entrar com preço agressivo, para roubar clientes de concorrentes já estabelecidos. No Brasil, o Viber cobra US$ 0,08 para ligar por três minutos para telefone fixo, e US$ 0,66 para celular. Como a start-up não exibe propagandas em seu aplicativo, é com o Viber Out e a venda de "stickers" que a companhia ganha dinheiro.

Neutralidade de rede

Embora delicie internautas, a expansão de serviços como VoIP e de mensagens grátis atinge em cheio os negócios de operadoras de telefonia, que cobram caro por SMS e ligações. Nos últimos anos, as operadoras brasileiras vêm defendendo a flexibilização da chamada neutralidade da rede, regra que impede provedores de internet de discriminar o tráfego de qualquer tipo de conteúdo em suas redes. O assunto é tema de discussão no âmbito do Marco Civil da Internet, que tramita na Congresso. O abandono do conceito de neutralidade de rede abriria a possibilidade de que operadoras dificultassem a vida de apps como o Viber. Talmon Marco, porém, não enxerga atritos no horizonte com operadoras de telefonia:

- Obviamente, somos defensores da neutralidade de rede. Os consumidores merecem que esse conceito continue vivo, e não vejo sentindo no bloqueio de apps e serviços por provedores de internet. Felizmente, nossa relação com operadoras de telefonia tem sido boa e acho que elas já perceberam que aplicativos como o Viber vieram para ficar.