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Clipping

08/01/2013 às 15:23

Após 10 anos de existência, lei sobre ensino de povos negros foi esquecida

Escrito por: Redação
Fonte: Gazetaweb

A educação afro-brasileira nas escolas públicas e particulares do País ainda é uma preocupação para a coordenadora do Instituto de Raízes de Áfricas, Arísia Barros. Amanhã, a Lei Nº 10.639, de 09 de janeiro de 2003, faz aniversário de 10 anos e, até o momento, está esquecida pelo Estado e grande parte dos professores.

Conforme explicou Arísia, a lei surgiu com o intuito de alterar a Lei Máxima de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, buscando promover uma desconstrução de estereótipos inferiores destinados à população negra por intermédio da Política da Transversalidade. O objetivo não seria garantir uma disciplina a mais no currículo escolar, mas sim, trabalhar a educação do povo africano nas matérias existentes, a exemplo de Língua Portuguesa, Literatura, História e Geografia.

“Se esta lei fosse executada na prática, os alunos teriam a oportunidade de conhecer e se familiarizar com o que os negros têm a oferecer, mas o preconceito começa desde a política. Ou seja, se ela não faz sua parte, como o setor pedagógico irá agir, pois depende dela? É necessário desconstruir esta visão de mundo, o senso comum que ainda impera na sociedade voltado a preconceitos e crenças sem fundamento”, destaca Arísia.

A coordenadora ainda comenta que, em 5 anos, esteve à frente de mobilizações em 82 cidades alagoanas, na tentativa de implantar a educação afro nas instituições de ensino. Muitos educadores aderiram à iniciativa, mas, com o passar do tempo, houve total enfraquecimento por parte de gestores. “O silêncio ainda impera no ambiente escolar e, amanhã, faz uma década de uma lei esquecida. Com isso, os jovens vão sendo educados sem este olhar e, cada vez mais, próximos da visão preconceituosa, registrada desde os primórdios da escravidão".