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Clipping

03/10/2013 às 00:00

Após fusão entre PT e Oi, sonho da supertele nacional fica mais distante

Escrito por: Redação
Fonte: O Globo Online

RIO - A fusão entre Oi e Portugal Telecom obrigará o governo brasileiro a adaptar sua ambição de criar uma supertele brasileira. Segundo analistas do setor, ao mesmo tempo em que pôs um fim ao sonho de uma gigante verde-amarela, o negócio anunciado nesta quarta-feira dá à luz uma superconcessionária de telefonia capaz de competir no mercado internacional, algo impossível para a Oi até então.

- A união não representa o fim da busca pela supertele. Ao contrário, confirma a criação. Só que não é 100% brasileira - analisou Juarez Quadros, sócio da consultoria Orion e ex-ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso.

Renato Pasquini, analista da Frost & Sullivan, vê paralelo entre a nova CorpCo e a Ambev, que se uniu a um grupo belgo para criar a gigante Inbev.

- A união foi positiva para a Ambev. No caso da Oi, ela terá uma oportunidade para expandir para fora, com acesso a mercados na África, objetivo mencionado pelo governo lá atrás, quando começou a falar em supertele.

Mas o governo foi criticado no caso da Ambev por apoiar um grupo que acabou tornando-se em grande parte estrangeiro. Agora também, fontes do governo e da Oi já avaliam que sofrerão severas críticas, principalmente políticas, uma vez que a proposta da supertele completamente nacional foi abandonada.

O plano para criar uma superconcecionária começou a sair do papel em 2007, quando criou-se um grupo de trabalho interministerial para analisar a questão. A supertele nasceria com a compra da Brasil Telecom pela Oi, estimulada pelo governo, que convocou fundos de pensão, BNDES e demais investidores nacionais a apoiar o negócio. Para viabilizar a transação, decreto federal chegou a alterar o Plano Geral de Outorgas (PGO), que impedia o controle de duas concessionárias de telefonia fixa pelo mesmo grupo empresarial.

A compra se concretizou em 2008. Desde então, o BNDES disponibilizou R$ 9,34 bilhões em financiamento para o Grupo Oi/Telemar. O negócio foi o maior negócio do setor desde a privatização do Sistema Telebrás. A companhia resultante nasceu com receita bruta anual de R$ 41 bilhões, 22 milhões de telefones fixos e 30 milhões de celulares. Mas, em 2010, uma estrangeira entrou no negócio: Portugal Telecom vendeu participação na Vivo e comprou fatia na Oi.

Os executivos da nova empresa negaram que ela será mais brasileira ou portuguesa.

- Quando pensamos a governança num projeto como esse, não existe essa divisão de passaporte - afirmou Zeinal Bava, que apontou que a companhia está entre as 25 maiores do mundo no setor de telecomunicações.

Segundo Renato Pasquini, da Frost & Sullivan, a fusão permitirá à Oi manter o ritmo anual de investimento que estava previsto até então, de R$ 6 bilhões anuais. Além disso, afirmou, R$ 1,2 bilhão dos R$ 5,5 bilhões ganhos com sinergia virão de investimentos: ou seja, a operadora acredita que será possível fazer mais com o capital investido.

Segundo Eduardo Tude, da Teleco, a nova empresa deve focar investimentos no segmento de banda larga, tanto móvel como fixa. A tendência é de queda de receita dos serviços de voz e ampliação dos ganhos com o tráfego de dados. Embora lidere no mercado de telefonia fixa, a operadora é a quarta em telefonia móvel.

Para Marcos Cavalcanti, da Coppe/UFRJ, é urgente que a Oi aumente os investimentos. No ano passado, após ser proibida de comercializar novas linhas móveis em alguns estados, ela foi obrigada pela Anatel a apresentar um plano de melhorias. Nele, a empresa projetou investimentos de R$ 5,5 bilhões até 2014:

- É claramente insuficiente. A Anatel diz que os serviços estão melhorando, mas não no ritmo dos outros países.

A operação é anunciada uma semana depois que a espanhola Telefónica fechou acordo com acionistas da holding controladora da Telecom Italia para aumentar participação no grupo. No Brasil, a Telefónica controla a Vivo e a Telecom Italia detém a TIM, rivais da Oi. (Colaboraram Danilo Fariello, Henrique Gomes Batista e Luciannne Carneiro)