Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

11/02/2016 às 15:51

Apresentadora iraniana foge do país para denunciar assédio sexual de ex-chefe

Escrito por: Redação
Fonte: Portal Imprensa

Jornalista deixou o país para poder denunciar ex-chefe

A apresentadora Sheena Shirani, da Press TV, deixou a emissora estatal iraniana e fugiu do país para denunciar o assédio sexual que sofria no trabalho. A iniciativa dela estimulou mulheres a dividirem experiências semelhantes nas redes sociais.
 
Segundo a BBC, Sheena publicou na internet a gravação de uma conversa telefônica em que um homem, que seria seu chefe, Hamid Reza Emadi, pede favores sexuais. A conversa foi ouvida mais de 120 mil vezes na página dela no Facebook e em um site iraniano de notícias.
 
A apresentadora, que trabalhava para o canal desde 2007, também publicou uma troca de mensagens entre ela e Emadi, na qual ele pede que ela retire o áudio do ar. Outra imagem mostra uma declaração dele negando as acusações e alegando que a gravação é falsa.
 
Em resposta, a Press TV informou que suspendeu dois de seus funcionários enquanto as acusações são investigadas. Além de Emadi, o outro empregado também teria sido denunciado por Sheena de assédio.
 
O canal destacou que "embora o áudio não possa ser usado legalmente [como prova] e nenhuma denúncia [formal] tenha sido feita", o caso "é sério" e será investigado. Disse também que a gravação foi feita com a ajuda de "pessoas que se opõem ao sistema iraniano por razões políticas".
 
Sheena disse que usou as redes sociais antes de procurar uma reclamação formal, pois não teve outra alternativa, já que as pessoas para as quais poderia ter feito a denúncia eram as mesmas que a assediavam.
 
"Numa sociedade como a iraniana, se você for fraco e não tiver laços com poderosos, você está sozinho. Mais ainda, se você for mãe solteira, estará desprovida de qualquer valor nesta sociedade", relatou.
 
A iniciativa da apresentadora gerou um debate sobre assédio sexual em locais de trabalho nas redes sociais iranianas. Internautas destacaram que as mulheres "precisam aprender com ela e defender seus direitos" e ressaltaram a "a bravura e a dignidade" que revivem a "voz das vítimas".
 
O diretor já havia se envolvido em polêmicas antes. Em 2013, a União Europeia impôs sanções ao canal depois de ter transmitido uma entrevista, feita sob coação, com o jornalista Maziar Bahari, da Newsweek.