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Clipping

20/09/2012 às 09:16

Bahia concentra 25 companhias em parque tecnológico

Escrito por: Murillo Camarotto
Fonte: Valor Econômico

Paulo Câmera, secretário de Ciência e Tecnologia: prédio de R$ 59 milhões

Em um esforço para "mudar a visão agroexportadora" que se tem da economia baiana, foi inaugurada oficialmente ontem a primeira fase do Parque Tecnológico da Bahia, empreendimento criado para concentrar um amplo polo de empresas e instituições voltadas à pesquisa científica e inovação tecnológica. A inauguração foi mera formalidade, visto que já estão funcionando no local 25 empresas, sendo nove incubadas e 16 consolidadas, como a IBM, a Portugal Telecom e a recém-criada Ericsson Inovação.

Batizado de Tecnocentro, o prédio inaugurado ontem custou R$ 53 milhões e abriga basicamente empresas de pesquisa e desenvolvimento de software. Mas as áreas voltadas para equipamentos, semicondutores e microeletrônica também estão contempladas. Uma das primeiras a se mudar para o local, a PT Inovação do Brasil, braço nacional de tecnologia da operadora Portugal Telecom, já investiu R$ 3 milhões no novo endereço, onde desenvolve o software Active Campaign Manager (ACM), dedicado a campanhas publicitárias em tempo real.

Presidente da empresa no Brasil, o português João Motta disse ao Valor que o escritório baiano irá concentrar o desenvolvimento de novas funcionalidades do software, que possibilita a personalização da publicidade por meio digital, seja via mensagem de texto, Twitter ou e-mail. Atualmente, a PT fornece o produto para Vivo e está em negociações com a Oi.

A PT Inovação do Brasil chegou a ter 60 funcionários no Tecnocentro, mas metade migrou para a Ericsson Inovação quando essa empresa foi criada, em maio, resultado de uma joint venture entre a PT Inovação e a empresa sueca.

Segundo a presidente da Ericsson Inovação, Adriana Landwehrkamp, a empresa também atende a Vivo, com o desenvolvimento de produtos e serviços para a plataforma de serviços pré-pagos da tele.

Satisfeita no novo endereço, cercado de Mata Atlântica, Adriana disse que as instalações do Tecnocentro facilitam a manutenção de profissionais em um mercado tão dinâmico. Além do ambiente atrativo, o centro oferece escritório de patentes e de negócios, balcão de serviços de apoio à inovação e rede de fibra óptica, entre outros. A concentração de várias empresas do setor no mesmo local também ajuda. "Gente criativa gosta de estar com gente criativa", disse ela, que quer aumentar de 40 para 80 pessoas a equipe local nos próximos oito meses.

A proximidade e os acordos com universidades facilitam a captação de mão de obra. Tanto PT Inovação quanto Ericsson se dizem satisfeitas com a oferta de profissionais na capital baiana. De acordo com o diretor do laboratório de desenvolvimento da IBM em São Paulo, Cláudio Schlesinger, a "sobra" de profissionais gabaritados para a área de tecnologia, ao lado do bom momento da economia nordestina, foi um dos pontos que levou a companhia a decidir por Salvador.

Com a diversificação geográfica, a IBM espera ampliar não apenas negócios, mas os sistemas que podem surgir das demandas e mentes regionais - e que podem ser replicados para todo o mundo. Na Bahia, a empresa está desenvolvendo sistemas voltados ao setor de recursos naturais, com destaque para a exploração de petróleo.

A Petrobras, inclusive, está programada para ocupar o terceiro edifício do centro tecnológico, informou o secretário de Ciência e Tecnologia da Bahia, Paulo Câmera. No local irão funcionar laboratórios de pesquisa voltados à exploração de campos maduros. O segundo edifício, anunciado ontem, terá um complexo de laboratórios e uma escola de iniciação científica. Custará R$ 59 milhões e a inauguração está prevista para 2014.

A concentração dos laboratórios em Salvador, no entanto, irritou membros de universidades públicas instaladas em outras regiões da Bahia. De acordo com um representante que preferiu não se identificar, deveria haver estruturas distribuídas pelo Estado. "Não adianta montar laboratórios tão bons se não podemos mandar as pessoas para trabalhar neles [devido à distância]. Claro que é melhor do que não ter em lugar algum, mas em termos de logística é um pesadelo."