Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

21/10/2013 às 09:31

Big Data abre oportunidade a operadoras

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

De todos os setores que podem se utilizar das tecnologias de big data em seu benefício, um dos mais privilegiados é o de telecomunicações. Essa tecnologia capaz de capturar, combinar e analisar enormes quantidades de dados não estruturados como posts em redes sociais, músicas, vídeos ou horários de ligações telefônicas promete trazer para os holofotes de marketing e vendas de empresas do setor informações que transformarão ainda mais as relações entre elas e seus clientes.

Detalhes antes impossíveis de detectar, como as pessoas prejudicadas pela súbita queda de uma ligação de celular, classificadas por qualquer critério relevante (idade, bairro onde se encontravam ou qualquer outro dado), estão ajudando as operadoras a evitar que elas migrem para os concorrentes. Ana Cláudia Oliveira, gerente de vendas para América Latina da Pivotal, empresa do grupo EMC especializada em soluções para essa especialidade da computação, conta: "A quantidade de dados disponíveis por causa da mobilidade propicia agora a descoberta de informações sobre preferências do consumidor, comportamento, mercados e muito mais". Cabe às operadoras, segundo Cláudia, escolher os mecanismos ideais para aproveitar essa oportunidade e descobrir o que essas informações representam.

Marcia Ogawa, sócia da área de consultoria da Deloitte e líder das soluções de Analytics, diz que a tecnologia de big data já se tornou uma realidade, com uma grande variedade de aplicações úteis para as empresas de telecomunicações. E o setor financeiro também pode se beneficiar do big data para suas estratégias", acrescenta. Outros setores que também podem se beneficiar da tecnologia, diz ela, são os de produtos de consumo e o varejo. "Para essas indústrias, há modelos de análise preditivos, estatísticas aplicadas a problemas como fraudes e outros assuntos. Cruzando isso com informações sobre o cliente e mais as de inteligência, o resultado são insights para a tomada de decisão", acrescenta a consultora.

Cláudia Oliveira, da Pivotal, explica que as informações disponíveis com as operadoras de serviços móveis de telecomunicações podem ser extremamente úteis para as cidades: "Em Londres, durante a última Olimpíada, os dados sobre localização e deslocamento das pessoas portando celulares foram aproveitados para indicar a necessidade de ações em setores como trânsito e segurança pública. Nós já estamos conversando sobre esse assunto com a Prefeitura do Rio", revela. E há aplicações mais sofisticadas em países como França, Espanha e Inglaterra, onde perfis sociais e dados de localização dos clientes podem ser oferecidos a lojas para que façam promoções relâmpago quando esses clientes estiverem nas proximidades.

Marcos Café, diretor geral da NetApp no Brasil, lembra que a evolução da tecnologia de big data está associada à recente avalanche de dados disponível em TI e telecomunicações. Para se extrair informações dessa massa de dados, diz ele, é necessário trabalhar com ferramentas específicas. "O resultado são informações que permitem melhor atendimento do cliente e melhoria nas ofertas de produtos e serviços. Mas as possibilidades vão além. Na área governamental, é possível pesquisar potenciais para aumento de arrecadação, localizar sonegadores ou grupos deles", diz Café.

Embora as possibilidades de obtenção de informações em big data fossem conhecidas há bastante tempo, elas esbarravam em três grandes problemas, avalia Mats Palving, diretor de Soluções da Ericsson na América Latina. "Esses problemas eram volume e variedade dos dados e velocidade do processamento. Cinco anos atrás, a tecnologia para resolver isso era muito cara, mas agora isso está resolvido", comenta Palving.

Assim, diz ele, o desafio é aplicar big data para obter dados precisos, adequados e que permitam ações. "Big data ainda está no início, mas as possibilidades são grandes - as operadoras de telecom poderão utilizar informações que sempre existiram mas só agora podem ser aproveitadas", acrescenta. Palving enfatiza a aplicação de big data em aperfeiçoamento dos serviços das operadoras. "Sabemos que os clientes podem migrar de uma para outra quando não se sentem bem atendidos". Hoje, conta ele, a Ericsson já tem inclusive as ferramentas de análise para apontar problemas e tendências com relação a esses clientes, utilizando dados de várias fontes, sejam das operadoras ou de redes sociais, por exemplo.

A IBM, que também oferece soluções nesse território, tem uma abordagem que envolve até a captura das gravações dos call centers, para transformá-las em textos e então integrá-las à massa de dados para análise, conta Leandro Andrade, consultor para telecomunicações da empresa. "A partir das informações do call center, é possível detectar problemas e preparar ações para a operadora antes que a situação piore", conta ele. Outra aplicação possível, diz Andrade, é registrar o deslocamento de celulares nas cidades para determinar a qualidade do trânsito em ruas e avenidas.

Com uma rede de 160 mil quilômetros de fibras ópticas e 350 data centers espalhados pelo mundo, a Level 3 coleciona uma quantidade de dados gigantesca e também já tem as ferramentas para sua análise, conta Alejandro Girardotti, gerente de serviços IP para a América Latina. "Temos as ferramentas para os clientes fazerem uma análise profunda desses dados sobre seu tráfego e suas aplicações". Com as análises os clientes podem decidir quando precisam ajustar seus recursos de redes ou processamento, finaliza Olavo Poleto Filho, gerente de produtos.