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Clipping

15/02/2006 às 08:31

Chargista brasileiro entra na polêmica

Escrito por: Redação
Fonte: Correio Braziliense

O cartunista e fotógrafo carioca Carlos Henrique Latuff de Souza, de 37 anos, é o primeiro brasileiro a se inscrever no concurso 'Onde está o limite da liberdade de expressão no Ocidente?', promovido pelo site Casa da Caricatura do Irã e pelo jornal Hamshari (O Povo). O prêmio, uma resposta às charges de Maomé publicadas na imprensa européia, abre espaço para qualquer tipo de caricatura sobre o Holocausto - o genocídio sofrido nos campos de extermínio nazistas pelos 6 milhões de judeus de toda a Europa na Segunda Guerra Mundial. Publicada no site www.irancartoon.com, a caricatura de Latuff retrata um palestino em lágrimas diante da barreira de segurança erguida por Israel na fronteira com a Cisjordânia. O personagem, de barba e bigode, está vestido como um judeu prisioneiro dos campos de concentração nazistas. No entanto, usa um kefieh (turbante árabe) e tem a mão direita sobre a testae os olhos. No peito, há uma lua crescente islâmica com a letra 'P' inscrita. Embaixo, o número 7256. Não há uma negação do Holocausto, mas o brasileiro procura identificar os palestinos de hoje com as vítimas do massacre liderado por Hitler. Autor de trabalhos polêmicos e neto de libanês, Latuff fez fama com a série 'Nós todos somos palestinos', em que compara a situação dos palestinos com outros povos oprimidos. Em uma das caricaturas da série, ele desenhou um soldado norte-americano de arma em punho pisando num vietcongue, que grita: 'Eu sou palestino!'. Em outra, um militarmexicano aparece diante de uma camponesa zapatista aos berros: 'Eu sou palestina!'. Os desenhos lhe renderam acusações de anti-semitismo por parte de judeus e simpatizantes de Israel. O artista carioca iniciou sua carreira no Movimento Sindical do Rio de Janeiro. Hoje, seus trabalhos estão espalhados por todo o mundo. Ele chegou a viajar aos territórios ocupados da Cisjordânia e tem um cartum preparado para o Peace Watch. O Correio entrou em contato com Latuff, mas até o fechamento da edição não havia obtido retorno. O jornal Hamshari também publicou ontem caricaturas do australianoMichael Leunig, enviada 'em solidariedade ao mundo muçulmano e para exercer a liberdade de expressão'. A primeira charge, intitulada 'Auschwitz 1942', mostra um judeu com a estrela de Davi nas costas, entrando no campo de concentração. Sobre o portão está escrito: 'O trabalho leva à liberdade'. Na segunda, 'Israel 2002', vê-se o mesmo judeu que, com um fuzil pendurado no pescoço, se dirige para um campo semelhante a Auschwitz, onde aparentemente ocorre uma guerra. Desta vez, na entrada está escrito: 'A guerra leva à paz'. Ao longo do dia, o site irancartoon.com retirou essas duas charges de sua página de abertura. O chanceler austríaco Wolfgang Schüssel, presidente em exercício da União Européia (UE), criticou as charges. 'O mau uso dos símbolos e a violação de tabus como o Holocausto devem ser condenados.'

Em entrevista coletiva conjunta com o diretor daOrganização da Conferência Islâmica (OIC), Ekmeleddin Ihsanoglu, o chanceler da UE, Javier Solana, disse que o bloco fará o possível para prevenir outra polêmica. A OIC, que reúne 57 países, apelou para a criação de uma lei proibindo a difamação da religião. Em visita ao Oriente Médio, Solana frisou que a UE 'nunca quis ofender os muçulmanos'. No entanto, foi evasivo sobre a possibilidade de aprovar uma legislação na Europa sobre o assunto. 'Fazemos o possível para que problemas desse tipo não se repitam, mas vocês sabem que temos uma lei importante proibindo assassinatose as pessoas continuam matando', justificou. Ontem, os protestos contra a publicação das caricaturas do profeta Maomé pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten continuaram no mundo muçulmano . PROFISSÃO DE FÉ 'SURGE' EM BEZERRO Milhares de pessoas foram ontem ao sul do Egito para tocar um bezerro recém-nascido que trouxe, segundo eles, um sinal divino em resposta às caricaturas do profeta Maomé que apareceram na imprensa européia. Cerca de 20 mil pessoas se reuniram diante da casa de Mohammed Abbu Dif, na cidade de Tunus - 500 km ao sul do Cairo -, para ver o animal 'sagrado' que teria desenhada nas dobras da pele a profissão de fé dos muçulmanos: 'Não há outro deus além de Deus'. A polícia teve de intervir para dispersar a multidão que tomava conta da pequena cidade do governo do Estado de Sohag.