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Clipping

26/06/2012 às 02:29

Cidade inteligente deve ser o maior legado do Mundial

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Online

A Cidade da Copa, um espaço de 240 hectares construído às margens do rio Capibaribe, no município de São Lourenço da Mata, Região Metropolitana de Recife (RMR), surge do zero utilizando as mais avançadas tecnologias de informação e comunicação. Todas as conexões entre as várias edificações serão subterrâneas e por meio de fibra óptica. E com cobertura para transmissão de dados por redes sem fio (Wi-Fi). O acesso às arenas de esportes - um estádio para 46 mil pessoas e ginásio para 10 mil lugares - usará tecnologia de biometria para reconhecimento facial. O controle do posicionamento de veículos será feito em tempo real, com sinalização dos semáforos ajustada eletronicamente ao fluxo dos carros.

O monitoramento da segurança nas vias e nos imóveis contará com câmeras de vigilância. Haverá medição eletrônica do consumo de energia, para ajustes em horários de pico, e sistemas on-line de prevenção e controle de emergências, e monitoramento da poluição do ar. No plano da sustentabilidade, a "smart city" adotará soluções como uso eficiente da ventilação e iluminação naturais e sistemas de coleta seletiva de lixo.

A Cidade da Copa, localizada na zona oeste da RMR, a 19 quilômetros da capital, concebida para ser a primeira "smart city" (cidade inteligente) da América Latina, é simples, diz Marcos Lessa, diretor-presidente do Consórcio Arena Pernambuco, formado pela Odebrecht Participações e Investimentos e Odebrecht Infraestrutura. "A cidade inteligente nasce com infraestrutura tecnológica planejada para atender a uma população de cerca de 100 mil pessoas, que ocupará seu espaço, não imediatamente, mas num período de dez a 15 anos. "O conceito de smart city está muito conectado com o planejamento urbano e a tecnologia é adotada desde seu nascedouro."

O Consórcio Arena Pernambuco tem memorandos de entendimento assinados com as empresas NEC, Ericsson e Cisco, estas últimas encarregadas de estudar a implantação de sistemas de conectividade e telefonia. O documento registra a intenção em implantar soluções tecnológicas na nova centralidade urbana e o compromisso das empresas em apresentar propostas. Segundo Lessa, as companhias de telecom e TI foram atraídas pelo potencial do projeto, que pretende alavancar o desenvolvimento da zona oeste da RMR Recife e criar o maior legado do Mundial no país.

"A intenção é que o novo estádio e o complexo em seu entorno sejam criados como referência em inovação e tecnologia. Alinhado com as políticas públicas do governo, o projeto contemplará com destaque as áreas de segurança, otimização do uso e gerenciamento de energia e conectividade entre os diversos empreendimentos", afirma. A expectativa é que os diferenciais tecnológicos desta "smart city" sejam definidos em breve. "Com o planejamento desde o início, os equipamentos urbanos implantados no complexo poderão manter sistemas integrados, o que torna os serviços prestados mais eficientes. Além disso, podemos modificar rapidamente os sentidos da via para agilizar e garantir mais segurança nas saídas após os eventos realizados na arena", destaca Lessa.

A japonesa NEC participa da definição dos pré-requisitos tecnológicos desde que o plano-mestre da nova cidade começou a ser desenhado, há pouco mais de dois anos. Segundo Massato Takakuwa, diretor da NEC para América Latina, a vantagem de começar a planejar uma cidade para ser inteligente desde o começo é poder evitar problemas logísticos e operacionais quando se pretende implantar sistemas avançados de tecnologia. Por exemplo, ter que cortar ruas e praças para fazer conexões de fibra óptica entre as edificações.

"Numa cidade planejada para ser inteligente, podemos prover serviços de informação e comunicação de maneira organizada para quem seus moradores. É possível instalar backbones de cabos ópticos subterrâneos sem maiores dificuldades, implantar sistemas de vigilância baseada em câmeras de seguranças nas ruas, e utilizar aplicativos que podem prever o comportamento das pessoas, em bancos e centros comerciais", explica Takakuwa.

A NEC traz ao Brasil, segundo ele, experiências de sucesso implantadas em outros países. Para a Arena 02, de Londres, que será palco da Olimpíada deste ano, a empresa forneceu a parte eletrônica - de sistemas de segurança de acesso, de telecomunicações, informática, de bilhetagem, call center, cobertura wireless até projetos de cinema 3D. O projeto brasileiro não está completamente definido, afirma. "Estamos estudando quais os serviços que precisamos colocar à disposição dos usuários da Cidade da Copa, a partir do levantamento sobre o perfil das pessoas, moradores, trabalhadores e visitantes", diz Takakuwa.

Os investimentos não foram especificados. "Estamos procurando identificar o quanto de tecnologia será necessário, quais os sistemas que vão ser utilizados e de que forma serão adotados. Certamente, que não serão usados tudo de uma vez só", afirma. Um ponto de preocupação é que as novas tecnologias não sejam demasiadamente caras, explica o executivo. "Temos que fazer um balanço junto com a Odebrecht dos serviços que pretendemos implantar, quais as tecnologias a serem empregadas e qual será o valor que esse ambiente vai custar. Temos que tomar cuidado, pois não adianta planejar uma cidade do futuro se isso não cabe no bolso das pessoas que vão trabalhar e morar lá", diz Takakuwa.

Outra inovação será no setor energético: a nova arena será uma das primeiras a implantar uma usina de energia solar. O projeto será desenvolvido pela Neonergia, uma das maiores empresas do setor elétrico brasileiro, por meio de suas controladas, a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) e pela Odebrecht Energia, com investimentos de cerca de R$ 13 milhões.

A usina solar vai gerar 1 MW, mas apenas 20% estarão disponíveis para consumo da Arena Pernambuco.