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Clipping

12/04/2013 às 11:05

Cine Brasília, só em maio

Escrito por: Redação
Fonte: Correio Braziliense

Boa parte dos cinéfilos podem não ter reparado, mas uma estreia importante foi adiada. A reforma do Cine Brasília tinha previsão de entrega para dezembro do ano passado, porém a reestreia só deve acontecer mesmo em maio. "Em Brasília, qualquer edifício com 50 anos de idade é um patrimônio histórico. O Cine Brasília é uma obra antiga e nos deparamos com tecnologia ultrapassada. Nós tivemos mais dificuldades com as instalações existentes do que nós prevíamos inicialmente", explica o subsecretário do patrimônio Histórico, Artístico e Cultural, José Delvinei, para justificar o atraso. "Por exemplo, nós pensávamos que a tubulação do ar-condicionado não precisaria ser trocada. Quando abrimos, percebemos que os dutos estavam muito entupidos e precisavam ser substituídos. Foi o maior motivo para o atraso", revela Delvinei.

O Correio visitou as obras no templo cinematográfico brasiliense, projeto exclusivo do arquiteto Oscar Niemeyer e o encontrou em estado irreconhecível. As poltronas foram retiradas, as paredes foram despidas dos adornos coloridos e o teto está em reforma, bem como banheiros e escadas de acesso à sala de projeção. A reforma custou R$ 3,5 milhões, a maior desde 1975, e tem como objetivo substituir as instalações elétricas, hidráulicas, os revestimentos das fachadas e adequar o prédio às exigências de acessibilidade.

Desta vez, a intervenção é tão profunda que em nada lembra as antigas "reformas" que maquiaram o edifício durante anos. A impressão é partilhada pelo projecionista Marcos Santos, funcionário do cinema há cinco anos e responsável por acompanhar o andamento das obras em curso. "Eu nunca vi uma reforma assim por aqui", reconheceu. Todas as modificações no prédio devem ficar prontas até o fim do mês.

Na gaveta
O projeto de ampliação do prédio, com construção de um anexo localizado atrás do Brasília permanecerá em análise pelo menos até 2014. Com um espaço maior, o cinema ganharia área para livrarias, salas de projeção menores e salas de aula. A realização da edificação também desenhada por Niemeyer, no entanto, está em análise desde a década de 1990 e não tem previsão para sair do papel. "É preciso, primeiro, concluir o estudo de impacto da construção para a região e consultar os moradores em audiências públicas para viabilizarmos a edificação", respondeu Delvinei. A capacidade de acomodação de espectadores do cinema também não será modificada. Chegou-se a cogitar a instalação de cadeiras com dimensões menores e que permitiriam a acomodação de quase o dobro de espectadores sentados. Porém, segundo o subsecretário, mais gente acomodada dentro da sala poderia significar quase duas vezes o número de veículos no estacionamento e nas quadras residenciais vizinhas. Os responsáveis pela reforma decidiram, então, manter um modelo de medidas semelhantes, contendo dois braços por cadeira e estofamento revestido com tecido de corino. A Secretaria de Cultura ainda precisará abrir licitação para substituição de cerca de 600 poltronas e o processo só deverá ser concluído em maio.

Cinema 3D
O desafio para o novo Cine Brasília não é mais a resistência ante os efeitos da corrosão do tempo. Uma programação de qualidade, e sedutora o ano inteiro, ainda precisa ser prevista se a vontade política quiser ver o espaço reformado ocupado por cinéfilos. Por enquanto, a SeCult promete melhorar os serviços prestados à população. A primeira ação inclui a substituição dos funcionários de carreira por profissionais terceirizados. "Nós fizemos um cálculo, e a Secretaria de Cultura gasta cerca de R$ 100 mil com os salários do funcionários servidores de carreira. O custo para o Estado é muito alto. Talvez seja mais viável colocar uma prestadora de serviços, com salário de mercado. Não vamos privatizar o cinema. Esta é apenas a terceirização dos serviços", responde o subsecretário. Os funcionários do cinema deverão ser lotados em outras funções nos demais aparelhos culturais da cidade, como Teatro Nacional ou museus.

Quanto ao planejamento do cardápio de atrações, a coordenadora de audiovisual da secretaria, Cibele Amaral, informa que a criação de uma comissão de gestão do cinema está para ser formada. "As decisões a respeito do Cine Brasília, ainda estão em fase embrionária. Precisamos repensar o modelo de gestão para deixar um produto melhor do que o existente até agora", afirmou. A data de reabertura está prevista para 28 de maio, com a manutenção em cartaz do filme de estreia por algumas semanas.

Depois disso, está certa a realização de uma parte do Brasília International Film Festival (Biff), bem como a continuidade da parceria iniciada com o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com a realização de mostras no espaço. "Por enquanto, acertamos o primeiro mês de programação. Porém, não queremos deixar a agenda do cinema engessada. Os distribuidores de filmes não trabalham com antecedência e podemos perder oportunidades de exibir títulos recentes se ocuparmos toda a grade", observou Cibele.

A nova gestão do Cine Brasília almeja alcançar um público maior de cinéfilos. Até a abertura do 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, previsto para acontecer entre 17 e 24 de setembro, o cinema deverá estar capacitado para a projeção de cinema digital, com instalação de um projetor 4K, com capacidade de exibição em três dimensões. "Um convênio com o Ministério da Cultura para compra dos esquipamentos já foi firmado, mas ainda não chegou à fase de licitação. Muito provavelmente em setembro já esteja funcionando projetor, com equipamento de som totalmente novo instalado seguindo as orientações técnicas dos fornecedores", explicou a coordenadora.

A projeção em três dimensões pode parecer estranha em uma casa cinematográfica tradicionalmente especializada em exibir títulos em nada parecidos com os filmes 3D presentes no circuito comercial. Porém, segundo a coordenadora de audiovisual, a medida deve atingir outro objetivo. "Nós estamos pensando principalmente no público infantil e na possibilidade de fazer um programa de formação de plateia no Cine Brasília. Além disso, precisamos pensar no futuro. Os diretores de filmes de arte podem começar a fazer filmes em 3D, nunca se sabe", adianta Cibele.

[FOTO4]

R$ 3,5 milhões
Valor da reforma do cinema

O que muda

Substituição dos sistemas elétrico e hidráulico;

Os tijolos de cerâmica da fachada foram trocados, respeitando o padrão original;

O sistema de ar-condicionado foi inteiramente substituído com troca de dutos e modernização das máquinas;

Uma rampa de acesso permitirá o trânsito de cadeiras de rodas dentro da sala do cinema e poltronas para obesos serão instaladas entre as demais. Os banheiros também foram adequados para o acesso com cadeiras;

A instalação de uma porta deslizante promete ser o fim da derrubada e reconstrução de parte da parede lateral do espaço para dar acesso a praça de alimentação durante a realização do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro;

A tela de projeção continuará com o mesmo tamanho (14 x 6,30m), porém, o modelo será de tela plana. Até setembro, a SeCult se comprometeu a instalar um sistema de projeção digital 4K e, novidade, a possibilidade de exibição em três dimensões.