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Clipping

01/12/2015 às 14:11

Coletivo dribla vigilância do EI para noticiar ações do grupo na Síria e no exterior

Escrito por: Redação
Fonte: Portal Imprensa

Jornalistas se uniram para denunciar atividades do EI

O coletivo de jornalistas não profissionais Raqqa is Being Slaughtered Silently (RBSS) (Raqqa Está Sendo Massacrada Silenciosamente, em tradução livre), virou fonte de informação ao se dedicar a noticiar as ações do grupo radical Estado Islâmico (EI) em sua autodeclarada capital, a cidade de Raqqa, na Síria.
 
Segundo a Folha de S.Paulo, o grupo é formado por 17 ativistas. Além deles, 18 repórteres que trabalham na cidade e outros 10 fora do país. As redes sociais e o site da organização reúnem cenas de execuções, pessoas decapitadas, ataques aéreos e discursos de terroristas. 
 
Ameças de morte e invasões de hackers nas contas de seus integrantes são comuns. O envolvimento com eles é considerado crime. Dois homens foram mortos há aproximadamente um ano, depois de terem dito que pertenciam ao RBSS em um vídeo publicado pelo Estado Islâmico. O Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ), porém, apurou que eles não integravam o coletivo.
 
A entidade prestou uma homenagem aos ativistas na última terça-feira (24/11), em sua premiação anual, em Nova York. Um dos fundadores, Abdalziz Alhamza, dedicou a premiação aos moradores de Raqqa e aos colegas e familiares silenciados pela guerra.
 
"Estamos presos entre duas forças brutais", observou. "A primeira é um regime criminoso [do ditador Bashar al-Assad], que mata crianças sob o pretexto de lutar contra o terrorismo. A segunda [facções terroristas] espalha o mal e a injustiça", ponderou.
 
O RBSS dribla as câmeras de vigilância da cidade e conseguem divulgar informações, em inglês e em árabe, praticamente em tempo real. O conteúdo é enviado para os colegas no exterior e, em seguida, deletado.
 
De acordo com o CPJ, ao menos 85 jornalistas foram mortos e 90 sequestrados na cobertura do atual conflito no país, que começou em 2011. Por sua atuação, o material que conseguem passou a ser usado e citado por redes de TV, jornais e revistas.
 
O RBSS também usa estratégias de camuflagem em Raqqa. Eles grafitam muros e produzem a revista Dabea, sempre veiculada com a mesma capa da publicação do EI, a Dabiq. Desta forma, civis e, inclusive, combatentes acham que é a revista do Estado Islâmico, mas, quando abrem, encontram os textos do coletivo.