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Clipping

04/04/2013 às 09:17

Com 22 andares, arranha-céu do País é tombado

Escrito por: Felipe Wemeck/Rio
Fonte: O Estado de S. Paulo

Na Praça Mauá, no Rio, Edifício A Noite é marco da arquitetura art déco e conhecido por ter abrigado a Rádio Nacional  

Primeiro arranha-céu do País, o Edifício A Noite, na Praça Mauá, centro do Rio, inaugurado em 1929, foi tombado ontem pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Marco arquitetônico simbólico por ter abrigado a Rádio Nacional, o prédio era preservado por um decreto municipal de 2000.

Os conselheiros consideram tanto o valor histórico quanto o que chamamos de belas artes. São dois livros de tombo (tomba-mento)y e a opinião foi pelas duas inscrições", disse ontem a presidente do Iphan, Jurema Machado.

Ela destacou o papel inaugural do edifício que demarcou um momento de grande transformação da cidade, com técnicas de construção e estilo inovadores para o início do século 20. "É um marco na construção em concreto armado no Brasil. Essa associação entre arte e técnica é a principal característica do início da arquitetura moderna, que se podia chamar de protomoderno, entre o ecletismo e o modernismo", disse a arquiteta.

Com 22 andares e 102 metros de altura, o prédio foi erguido numa época em que predominavam sobrados na região. As construções da então Avenida Central, a atual Rio Branco, chegavam a, no máximo, oito pavimentos. Simbolizou, portanto, o início do processo de verticalização do Rio.

O Edifício A Noite ocupou o espaço do antigo Liceu Literário Português. Tanto as fachadas como áreas internas revelam influências do estilo francês art déco. No terraço, havia restaurantes e um mirante com vista privilegiada para a então despoluída Baía de Guanabara.

O projeto é do mesmo autor dos edifícios do Copacabana Palace e do Palácio Laranjeiras, o francês Joseph Gire, em parceria com o arquiteto brasileiro Elisário da Cunha Bahiana. Na reunião do conselho, foi muito destacado também o papel do engenheiro Emilio Baumgart, nascido em Santa Catarina e filho de alemães, responsável pelo cálculo estrutural do prédio.

Criatividade. Urbanistas ressaltam a importância da construção para se chegar a soluções técnicas até então inéditas na cidade, como por exemplo levar água até os últimos andares. Foi tão determinante que influenciou o Código de Obras.

O edifício resistiu à especulação imobiliária que mudou a feição da Avenida Rio Branco ao longo do século passado, mas não escapou da deterioração. Esse processo foi influenciado pela decadência da região portuária, a partir dos anos 1970.

Danos. O prédio está coberto há quase um ano por andaimes e telas, para evitar que rebocos da fachada caiam nos pedestres.

A reforma, porém, ainda não começou. No interior, a situação também é precária.

A presidente do Iphan disse que o tombamento poderá facilitar o acesso a recursos para as obras por meio de leis de incentivo. "Estamos em um momento de mudanças na região da Praça Mauá, com a construção do Museu do Amanhã e a recente inauguração do Museu de Arte do Rio. O espaço da Rádio Nacional poderia voltar a funcionar como auditório", disse Jurema.