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Clipping

15/04/2013 às 23:50

Com lobby de artistas, meia-entrada pode ser limitada a 40% dos ingressos

Escrito por: FERNANDA KRAKOVICS
Fonte: O Globo Online

Artistas e produtores teatrais pressionam o Senado a incluir no Estatuto da Juventude uma cota de 40% para a meia-entrada em eventos culturais. A Direção Nacional do PT divulgou uma moção contra o estabelecimento desse limite para a venda de ingressos mais baratos. O PCdoB, que controla a União Nacional dos Estudantes (UNE), é a favor. O pano de fundo é uma disputa entre a juventude dos dois partidos. O projeto deve ser votado nesta terça-feira no plenário do Senado.

O assunto divide o governo. A ministra Marta Suplicy (Cultura) se uniu à classe artística e está trabalhando pela aprovação da cota de 40% para a meia-entrada. Já o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência da República), a quem está subordinada a secretária nacional da Juventude, Severine Macedo, é contra. Os três são petistas.

Apesar das posições divergentes, a Secretaria Geral da Presidência informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que quem conduz esse assunto no âmbito do governo é o Ministério da Cultura. Procurada, a ministra Marta Suplicy não se manifestou até o fechamento desta edição.

O projeto em tramitação considera jovens as pessoas com idade entre 15 e 29 anos. A proposta assegura aos estudantes dessa faixa etária e aos pertencentes a famílias de baixa renda o acesso, mediante pagamento da metade do preço do ingresso, a salas de cinema, teatros, espetáculos musicais e eventos esportivos - com exceção da Copa de 2014, Copa das Confederações e Olimpíadas de 2016. É considerada de baixa renda a família inscrita no cadastro único do governo federal cuja renda mensal é de até dois salários mínimos.

A classe artística preferia que não houvesse a meia-entrada, mas acabou aceitando fazer o acordo possível. A atriz Fernanda Montenegro foi uma das que entrou em campo para defender a cota de 40%. Ela telefonou para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e para o líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Na linha de frente também estão o ator Odilon Wagner, presidente da Associação dos Produtores Teatrais Independentes (APTI), e o produtor Eduardo Barata, da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR).

- O Brasil é o único país do mundo onde o governo estabelece que vamos ter que abrir mão de 50% da nossa renda, sem apontar de onde vai sair o dinheiro para o custeio. Chegamos a um acordo para regulamentar a meia-entrada, que às vezes chega a 100% dos ingressos e, na prática, não existe, porque os preços acabam indo lá pra cima - afirmou Bianca de Felippes, da APTR.

Moção aprovada pelo Diretório Nacional do PT, em reunião na última sexta-feira, afirma que forças partidárias e produtores culturais tentam convencer alguns parlamentares a aprovar um texto que “restrinja os direitos da juventude brasileira ao acesso à cultura e lazer”, inserindo cotas de 40% para a meia-entrada.

"A Direção Nacional do PT é a favor da manutenção do texto do senador relator Paulo Paim (PT-RS), aprovado na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, e orienta a bancada do PT no Senado e na Câmara Federal na defesa da meia-entrada cultural sem cotas", afirma o texto.
A emenda estabelecendo a cota para a meia-entrada foi apresentada pela senadora Ana Amélia (PT-RS). Ela utiliza o argumento que, atualmente, a meia-entrada é uma ficção, já que os preços são dobrados para compensar o benefício:

- Alguém paga a conta. Não existe almoço grátis.