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Clipping

11/08/2016 às 15:29

Com prejuízo e menos clientes, Oi ainda espera mudança nas concessões

Escrito por: Luís Osvaldo Grossmann
Fonte: Convergência Digital

Enquanto se vale da recuperação judicial para respirar frente ao acúmulo de dívidas, a Oi apresentou um segundo trimestre difícil, no qual as receitas caíram 3,8% frente ao mesmo período de 2015, para R$ 6,5 bilhões. Em parte, pelo menor número de clientes, embora essa redução entre abril e junho, de 0,4%, esteja menor – no ano, o recuo de unidades geradoras de receita chegou a 5,2%, puxado pelo segmento corporativo (-9%). 
 
Nesse cenário, a dívida líquida cresceu – de R$ 40,8 bilhões, no fim de março, para R$ 41,4 bilhões. E como lembraram os executivo das empresa em teleconferência nesta quinta, 11/8, a recuperação judicial chegou ao fim do período – foi pedida em 20 de junho e aceita nove dias depois. E se no segundo trimestre do ano passado a empresa chegou a festejar lucro, desta vez o período terminou em prejuízo, de R$ 656 milhões. 
 
As pressões levaram a uma redução de 40% no caixa disponível, para R$ 5,1 bilhões. Como explicou o presidente da operadora, Marco Schroeder, “a queima de caixa expressiva no trimestre, com redução de R$ 8 bilhões para R$ 5 bilhões, tem coisas especificas, como a amortização de dividas e o pagamento de juros da ordem de R$ 1,8 bilhão”. Além disso, ressaltou o pagamento da última parcela do leilão 3G, de R$ 650 milhões, e acordos trabalhistas por conta das demissões de maio, que pesaram outros R$ 100 milhões. 
 
A empresa enxerga números favoráveis no resultado, entre eles, a redução no churn e as receitas maiores por usuário (Arpu de R$ 82, 4,5% de aumento em um ano). Segundo o executivo, isso é resultado do foco em pacotes de serviços, nos quais os cancelamentos são muito menores. O trimestre também viu aumentos na receita de banda larga e na TV paga. “Apesar da queda anual de 3,7% da receita de serviços de mobilidade pessoal, a Oi apresentou segundo melhor desempenho entre os concorrentes”, disse Schroeder.
 
Revisão do modelo
 
Mas se de um lado a empresa costura uma proposta a ser levada aos credores – o endividamento negociado na recuperação judicial supera os R$ 65 bilhões – de outro ainda aposta na revisão das regras do setor de telecomunicações no Brasil, especialmente com o fim das concessões e sua substituição por um modelo de autorizações, tudo no regime privado. 
 
“O assunto nos preocupa, a gente está atuando. Temos visto evolução no Legislativo, no Executivo, e temos bastante claro que existem questões que tem que ser atualizadas, obrigações que não fazem mais sentido”, apontou o presidente Marco Schroeder ao ser questionado sobre o tema nesta quinta. Como emendou o diretor de regulamentação da Oi, Carlos Eduardo Medeiros, a empresa espera a redução de obrigações associadas à telefonia fixa, como o fim dos orelhões. “Tem coisas muito claras. O telefone público custa R$ 300 milhões por ano para manter, com receita de R$ 20 milhões. A Oi perde, a sociedade perde”.
 
Em especial, no entanto, a empresa torce pela liberação dos bens reversíveis. “Não tem lógica nenhuma manter ativo imobiliário e não poder monetizar para fazer frente a obrigações de investimento. Bem reversível é muito mais a questão das redes que a questão imobiliária. Existe a expectativa que uma vez resolvido os bens reversíveis tenhamos a oportunidade de monetizar ativos”, completou.