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Clipping

27/04/2011 às 13:36

Computação na nuvem exige política governamental

Escrito por: Fábio Barros
Fonte: Convergência Digital

O conceito de cloud computing vem ganhando força na iniciativa privada, mas na esfera governamental seu uso ainda é tímido, pontual. É diante deste contexto que o presidente da Microsoft para mercados emergentes, Orlando Ayala, defende que o País precisa, antes de mais nada, definir sua estratégia para o uso da computação em nuvem.

“A primeira questão é a capacidade de banda, que é um limitador e precisa ser melhorada. Depois, é preciso ter políticas públicas claras para quatro áreas: segurança, privacidade, interoperabilidade e soberania dos dados. Isso é fundamental não só no contexto local, mas global. O ponto é a definição dos padrões a serem adotados”, afirma o executivo.

A terceira questão diz respeito ao tipo de nuvem que será utilizada: pública, privada ou híbrida. “Eu pessoalmente acredito no uso de nuvens híbridas, como a prefeitura de Londres vem utilizando para hospedar todos os aplicativos de produtividade de seus funcionários”, diz.

O que deve ajudar, e muito, a solucionar estas questões é a definição de uma estratégia federal. Para que o uso da nuvem faça sentido, ela deve abordar dois níveis: redução de custos e foco em inovação em áreas prioritárias para o País. Ayala acredita que a proximidade de eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 deve apressar esta definição.

Com a estratégia definida, o governo poderá então iniciar a discussão sobre que aplicativos seriam colocados em cloud, exatamente o momento vivido hoje pelo governo australiano. “Alguns países, como os Estados Unidos, têm um CIO no governo. Não sei se seria o caso do Brasil, mas ter este debate centralizado em uma área pode ajudar”, sugere.

Sobre as aplicações, o executivo citou o exemplo de um piloto que vem sendo testado por 18 hospitais canadenses. Eles implementaram a mesma tecnologia utilizada no Kinect para a realização de cirurgias cardíacas, permitindo que a análise de imagens seja feita virtualmente. Mais que isso, os hospitais estão integrados a um banco de dados comuns, o que possibilita aos médicos compartilhar diagnósticos e tratamentos. “Esse cenário só é possível com a nuvem”, afirma.

Para Ayala, a predileção do governo brasileiro por aplicativos de código aberto não seria um obstáculo. “Na nuvem há espaço para todos. O importante é a definição dos padrões de nuvem e de documentos, que devem ser híbridos. O mais importante é garantir a qualidade do serviço, que é o que vaio fazer a diferença para os usuários”, afirma.

De acordo com o executivo, a Irlanda é o hoje o país com a estratégia de nuvem mais avançada no mercado global. “O país viveu anos em crise e agora passa por uma reestruturação e todo o seu reposicionamento tecnológico tem sido baseado na nuvem”, diz. Se o Brasil ficar para trás, não será por falta de exemplos.