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Clipping

21/01/2011 às 09:25

Controle remoto universal: nem remotamente possível

Escrito por: Farhad Manjoo
Fonte: O Globo Online

O controle remoto universal é uma das grandes idéias do mundo moderno, junto com a máquina de lavar automática, o Wi-Fi e a descarga. A teoria por trás deste gadget é simples e sublime: em um mundo cada vez mais automatizado e conectado, não seria maravilhoso se pudéssemos administrar todas as nossas máquinas com um único supercontrole?

Na verdade, a visão é tão irresistível que, desde a invenção do controle remoto universal em 1985, ele tem aparecido em toda parte. Há uma boa chance de que seu televisor, sistema de home theater, TV a cabo e todos os outros dispositivos em sua sala de estar tenham algum tipo de controle remoto "universal". É ainda mais provável, no entanto, que você nunca tenha usado qualquer uma dessas funções universais. Cada remoto funciona sozinho - você usa um para mudar os canais, outro para o volume, outro para o DVD e assim por diante, deixando sua mesinha da sala e seu cérebro mais congestionados que o metrô de Tóquio na hora do rush.

Eu gostaria de poder dizer que existe uma opção melhor. Mas depois de testar diversos controles remotos universais - baratos, caros, smartphones e alguns sobre os quais é melhor não falar nada - não tenho notícias muito boas para dar. Claro, alguns controles remotos universais são mais úteis do que outros, e um deles é quase bom. Mas, em geral, esses dispositivos permanecem mais atraentes na teoria que na prática.

Isso porque todos eles sofrem uma de uma falha inerente e geralmente fatal: controles universais não podem oferecer botões o bastante para reproduzir todas as funções de todos os dispositivos, então eles têm de fazer concessões, cortando botões aqui e ali. O problema é que alguns desses botões são importantes.

Um exemplo óbvio pode ser encontrado no Remote Commander Sony, que, por US$ 10, é um dos mais básicos controles universais. Quão básico? Ele tem um punhado de botões principais: mudar canais, volume, mudo e um teclado numérico para escolher os canais. Se a sua televisão ou caixa da TV a cabo têm mais de oito anos, esse é o controle para você. (É sério - O Remote Commander é exatamente o que você precisa para ressuscitar televisores antigos, cujos controles originais foram comidos pelos cachorros) Ele não serve, no entanto, para qualquer gadget feito nos últimos cinco anos.Não traz nenhum botão para acionar guias na tela, por exemplo. Não há como ver programas gravados, nem como percorrer menus.

Dois outros controles remotos que testei foram feitos pela URC, uma empresa que já foi sinônimo de controles universais, mas hoje nada significa. Ambos os aparelhos decepcionaram. Surpreendentemente, o modelo mais caro - o URC-R50, cerca de US$ 90 - foi menos útil e mais irritante que o mais barato, o URC-WR7, que custa US$ 20. Eu gostei da forma e do peso do mais barato e ele tem botões para quase todas as funções da minha TV. Mas "quase" é a palavra-chave, pois "quase" todos os botões não é o suficiente. No WR7 falta um botão para um dos aspectos cruciais na minha televisão, um menu na tela de opções e configurações. Sem acesso a essa função, tive de usar meu controle original várias vezes. E se tenho de fazer isso, para que comprar um controle universal?

No modelo mais caro, falta a mesma tecla. Ou pelo menos é o que eu acho. Não tenho certeza, pois além dos botões de borracha padrão, este controle remoto inclui uma tela LCD que oferece outras funções. No início, isso parecia ótimo - numa tela digital pode-se adicionar funções específicas para sua televisão e, portanto, resolver o problema.

Mas então eu olhei para o R50 e cocei a cabeça. Para a minha televisão, a tela LCD oferecia opções com rótulos incompreensíveis, que fariam mais sentido para um robô que para um ser humano. Um se chamava MTS, outro DIGHD, outro ANAHD. Hã? Eu ousei pressionar o MTS para ver se o que estava procurando? O manual do R50 não informava sobre o assunto. Temendo que algum demônio fosse convocado da minha TV, preferi não arriscar.

O R50 possui outra característica encontrada em vários concorrentes: macros. Eles permitem que você aperte um botão que executa uma série de ações automaticamente. Por exemplo, você pode criar um macro "Veja TV" que vai ligar a sua televisão, a caixa da TV a cabo e mostre seu guia na tela. Infelizmente, é muito difícil configurar esses macros.

Pense no Harmony One como a Mercedes-Benz dos controles remotos universais. Ele foi cuidadosamente desenhado, bem construído e custa caro: US$ 170. Por ser avançado, o Harmony One dá um pouco mais trabalho para configurar do que os concorrentes. Primeiro, você deve instalar o software no seu Mac ou PC e ligar o controle remoto no computador. Então, precisa informar os modelos e números de série de todos os seus gadgets. Levei cerca de meia hora para configurar o Harmony One para todo o meu sistema de home theater.

Gostei especialmente da capacidade do Harmony de criar uma série de macros automaticamente (ele os chama de Activities). Ainda melhor, os Activities funcionam na maioria das vezes. Pressione o botão "Watch TV" na tela LCD do Harmony e ele coloca tanto o aparelho quanto a TV a cabo nas configurações corretas. Pressione "assistir DVD", "ouvir música" ou qualquer de várias outras tarefas e ele também funcionar. Ele cumpre tão bem essas tarefas, que após alguns dias usando o Harmony cheguei a achar que poderia abandonar todos os meus outros controles remotos.

Mas, então, a sintonia começou a azedar. Um problema persistente foi a omissão ocasional de um passo importante para uma atividade - na tentativa de configurar meu sistema para ouvir música, por exemplo, ele esquecia de mudar minha TV para o leitor de CD, ou simplesmente desligava o aparelho. O Harmony tem um manual na tela para ajudar quando surgiam essas dificuldades, mas isso realmente não tornava o problema menor. E mesmo com toda sua sofisticação, ele apresentava a mesma falha de todos os outros: não tinha algumas funções importantes para cada um dos meus dispositivos.

A indústria fez um movimento para suprir esta deficiência através de smartphones e outros aparelhos com tela sensível ao toque e há uma certa lógica nessa idéia: seu iPhone está conectado à internet e sua tela pode ser rapidamente modificada para controlar qualquer dispositivo. Será esse o controle remoto universal perfeito?

De fato, inúmeros novos aparelhos foram equipados para ser controlados pelo iPhone, iPad e outros dispositivos touchscreen. Sonos, fabricante de incríveis sistemas de música, criou aplicativos intuitivpsintuitivos para dispositivos sensíveis ao toque que oferecem toda a funcionalidade de controles dedicados da companhia. Testei alguns sistemas que permitem o uso de iPhones para controlar suas luzes e outros aparelhos de longe. Entre eles, o SmartLinc Insteon, que custa US$ 129, mais cerca de 50 dólares extra para os módulos de controle de cada aparelho. Ele funcionou muito bem.

Como padrão de controle remoto para televisão e cinema em casa, no entanto, o iPhone tem problemas. Para controlar os dispositivos de entretenimento pelo celular, usei um RedEye de US$ 160, um pequeno console que fica em sua sala e assume os comandos do pelo aplicativo RedEye. Mas o app exige muitas etapas frustrantes para encontrar os códigos corretos para a televisão e outros gadgets. Pior ainda, o aplicativo exibe os comandos para cada um dos meus dispositivos em ordem alfabética - eu tinha que rolar para encontrar o botão Aumentar volume, voltar para mudar canais e por aí vai.

Cansei rapidamente, deixei o telefone de lado e peguei um dos meus controles remotos. Claro que eu gostaria de ter um que fizesse tudo, mas esse aparelho dos sonhos ainda não existe,.