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Clipping

23/10/2013 às 09:32

Cresce influência espanhola na Telecom Italia

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Econômico

Depois de promover, há um mês, o aumento de sua participação na Telco, o consórcio que controla a Telecom Italia, a espanhola Telefónica vem ampliando sua influência na operadora italiana. A mais nova intervenção foi a decisão de abortar o plano da Telecom Italia de desmembrar sua rede fixa, de fibra óptica e fios de cobre, informou a agência de notícias Bloomberg. A cisão resultaria em uma nova empresa, avaliada em ? 14 bilhões, por meio da qual a empresa italiana poderia atrair novos sócios e capital para reduzir parcialmente sua volumosa dívida de ? 29 bilhões, que supera em mais de cinco vezes seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

A Telefónica prefere que a Telecom Italia encontre outras maneiras de estancar a queda de receitas em seu mercado interno, sem mexer na rede fixa. A decisão ocorre depois de a espanhola provocar a queda do ex-presidente da Telecom Italia, Franco Bernabè, por não concordar com o plano do executivo para capitalizar a empresa por meio dos atuais ou novos acionistas. Questionadas pela Bloomberg, a Telecom Italia e a Telefónica não quiseram comentar o assunto.

O projeto de desmembramento estava em curso há mais de um ano e era uma das principais alternativas estudadas por Bernabè para recuperar as finanças da empresa. O plano foi suspenso em julho, depois que a agência reguladora italiana ordenou à Telecom Italia que reduzisse as taxas cobradas das concorrentes pelo uso da sua rede.

Sem o desmembramento e a capitalização da empresa, as alternativas da Telecom Italia para lidar com a dívida ficam ainda mais restritas. Resta a venda dos ativos da operadora na América Latina - TIM Brasil e Telecom Argentina. No dia 7 de novembro, o presidente interino da Telecom Italia, Marco Patuano, vai apresentar um plano de recuperação. A situação crítica levou a agência de classificação de risco Moody"s a rebaixar, no dia 8, a nota da operadora italiana para "grau especulativo".

O Valor apurou que a Telefónica tem planos de dividir a TIM e vendê-la aos principais competidores no Brasil. Uma parte ficaria com a Vivo, que é controlada pela própria Telefônica, e as demais seriam repassadas às rivais Oi e Claro. Analistas do setor e pessoas que acompanham a situação de perto dizem, no entanto, isso não vai ocorrer no curto prazo. É preciso, antes, combinar com os governos envolvidos - Itália, Brasil e Argentina -, para impedir restrições regulatórias à tomada de poder do grupo espanhol na Telecom Italia. "A Telefónica não vai permitir que nenhum investidor entre na Telecom Italia e se torne uma ameaça à sua tomada de controle", disse um analista, que não quis se identificar.

O especialista afirmou, no entanto, que a Telefónica pretende segurar ao máximo a conversão das suas ações preferenciais na Telecom Italia para ações com direito a voto, "porque precisa resolver as questões regulatórias e também um evento pagamento de "tag along" da TIM". O "tag along" é o pagamento aos acionistas minoritários de 100% do valor pago por ação aos controladores. Em janeiro, a empresa espanhola pode assumir o controle do grupo italiano, ao fazer a conversão das ações.

Segundo jornais italianos, o presidente da Telefónica, Cesar Alierta, está pronto para se reunir com o primeiro-ministro da Itália, Enrico Letta, que teria concordado em receber o executivo. A data ainda não teria sido fechada. Procurada pelo Valor, a Telefónica não respondeu ao pedido de entrevista até o fechamento desta edição.

A expectativa é que na próxima reunião do Conselho Europeu, amanhã e na sexta-feira, Letta defenda a criação de um mercado único de telecomunicações no continente. O argumento é que a existência de 28 mercados nacionais dificulta a capacidade competitiva das operadoras. A posição já foi defendida publicamente pelo primeiro-ministro. Na Itália, as declarações foram entendidas como um aval implícito de Letta à união entre Telefónica e Telecom Italia.

Caso a reunião entre Alierta e Letta se confirme, ficará evidente a disposição da Telefónica em costurar acordos com os governos dos países onde atua direta ou indiretamente. Em 24 de setembro, no dia do anúncio do acordo entre os sócios da Telco, Alierta se reuniu com a presidente Dilma Rousseff, em Nova York, onde ela participava da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Dilma afirmou que o tema do encontro foram os investimentos da empresa espanhola no Brasil.

Na ocasião, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, chegou a afirmar que a Telefónica não poderia manter o controle sobre a Vivo e a TIM ao mesmo tempo. Dilma reagiu. "Essa não é a posição oficial do governo", disse a presidente à época. "É o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que tem que se manifestar", afirmou.

A ação da Telecom Italia chegou a cair 3,1%, ontem, fechando em baixa de 1,2%, a ? 0,726 na Bolsa de Milão. Nesse preço, a companhia é avaliada em ? 13,1 bilhões. A ação acumula uma valorização de 6,3% no ano.