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Clipping

10/04/2006 às 08:33

Cristoteca louva a Deus em plena balada

Escrito por: Redação
Fonte: Folha de São Paulo

A missa termina, eé a senha para a festa começar e se estender até as 6h. Mas, nas quatro horas seguintes (sim, a missa terminou às 2h), nada de drogas, bebida ou cigarros. O lugar é a Cristoteca, e os DJs que assumem o controle são os do Electrocristo, que há quatro anos realizam o que definem como 'evangelização noturna através da música eletrônica'. Da capa dos CDs lançados pelo grupo -'A Festa by Electrocristo', de 2005, e o recém-concluído 'A Festa Continua'- às camisetas usadas pelos seis integrantes do projeto, à venda na internet, tudo transparece modernidade. O tom, entretanto, é de pregação, no discurso do grupo e nos vocais das músicas. No primeiro CD, o tom é mais explícito, numa espécie de 'dance music' católica; no segundo, é mais insinuado, entre batidas eletrônicas, com toques de estilos como electro e trance. 'Se sentimos que a pista perde acomunhão com Deus, paramos e rezamos um pouco. Ou lemos um trecho da Bíblia', diz Leonardo Ferreira Souto Guimarães, 28, DJ há oito anos e integrante do grupo. 'Tocamos em Foz do Iguaçu, por exemplo, e um cara fez uma bexiga com camisinha e começou a brincar com ela. Isso não pode.'Entre os ensinamentos aos que querem ser DJs católicos (o Electrocristo dá aulas) um dos principais é exatamente prestar atenção no comportamento da pista. 'Observe se a pista está louvando ao Senhor. O DJ pode levar a pista para o céu e também para o inferno, reflita sobre isso', lê-seno www.electrocristo.com. O Electrocristo é um dos primeiros grupos a seguir no Brasil os passos de DJs americanos e europeus que misturam música eletrônica e religião. Léo, por exemplo, tocava em casas noturnas paulistas convencionais. Católico, como os outros integrantes, resolveu misturar fé e música. 'Passamos a ter necessidade de um ambiente bacana, onde seja possível dançar, mas sem drogas.' Um dos integrantes do Electrocristo, o DJ Leoni, é um dos fundadores do movimento de música eletrônica católica no país. O primeiro CD do grupo vendeu 5.000 cópias. O segundo, lançado pela gravadora Paulinas-Comep, terá uma tiragem inicial de 6.000. Estará disponível nas lojas a partir de 1º de maio. Além da Cristoteca, 'residência do Electrocristo', como diz Léo, o grupo toca em casas noturnas mais conhecidas, como Moinho Santo Antônio e Credicard Hall. Também viaja pelo país. Eles pensam agora na possibilidade de realizar a primeira 'rave cristã', na represa de Guarapiranga (SP). A Cristoteca é um galpão localizado no Brás, centro de SP, cedido pela comunidade Aliança de Misericórdia, onde o Electrocristo toca todas às sextas-feiras para até 1.500 freqüentadores. Os DJs estão o tempo todo atentos para evitar excessos, mas a preparação para que não se perca o controle sobre a festa começa antes, quando geralmente entra em cena um padre convidado. No caso da sexta retrasada, o padre Alexandre Júnior, 25.'A Cristoteca é uma iniciativa que permite ao jovem experimentar Deus dentro de sua realidade de vida', elogia. Padre há três meses, ele entra cantando e dançando junto com a banda que inicia a noite na Cristoteca, por volta das 23h30. Ao longo da missa, entretanto, o tom muda. 'Se você quer passar a noite aqui só para descobrir alguma menina santinha para se aproveitar, saiba que na sua cabeça só tem cupim', adverte, aplaudido. Durante toda a noite, uma capela fica aberta em um espaço anexo para que os freqüentadores possam fazer orações. E há uma espécie de bar improvisado, nomeado 'Cristodrink's', onde as bebidas disponíveis para venda são vitaminas, sucos e refrigerantes.