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Clipping

09/01/2006 às 09:49

Dinâmicas do Sector da Música Digital em França

As mais recentes estimativas apontam para cerca de 20 milhões de títulos musicais vendidos através da Internet em 2005, por via do download, o que corresponde a um volume de negócios de cerca de 15 milhões de euros. De acordo com o estudo “Les Marchés Numériques de la Musique”, publicado pelo Observatoire de la Musique, tais resultados reflectem novas dinâmicas na Indústria da Música Digital, que são materializadas através da passagem de uma economia da aquisição para uma economia da utilização. Deste modo, a relação entre vendedores e compradores estaria em plena transformação, cedendo lugar a uma relação entre prestadores de serviços e utilizadores, baseada numa interacção pessoal e emocional possibilitada pelas ferramentas de CRM, em vez de um relacionamento de massas. Em termos práticos, estas soluções passam pela criação de playlists adaptadas aos gostos e preferências do consumidor, sugestão de produtos anexos ao tema adquirido (biografia do artista, fotografias, letra da música etc...), possibilidade de troca de ficheiros com amigos, entre outros. Esta passagem para uma economia da utilização, e para a necessidade de personalizar os conteúdos, é potencializada pela enorme variedade e amplitude da oferta através da Internet: o consumidor necessita ser orientado na sua procura pelos temas desejados, assim como na descoberta de novos títulos. Por outro lado, graças às TICs, o sector da distribuição de música conheceu outras perspectivas – o interesse de uma obra nem sempre é o seu carácter de novidade. A sua atractividade pode residir em fenómenos de nichos, modas ou de redescoberta de um dado autor. Neste sentido, o mercado da música digital parece ser, pelo menos na fase actual, complementar ao mercado físico, sendo a procura por parte dos consumidores de natureza diferente nestes dois campos de acção (ex: de acordo com o NPD Group, 64% das compras realizadas através das plataformas digitais referem-se a lançamentos com mais de 18 meses). No entanto, a indústria da música digital terá ainda que ultrapassar alguns obstáculos para poder continuar a prosperar: Não há um sistema de protecção anti-cópia universal, e além disso os sistemas existentes trazem problemas em termos dos limites que impõem à sua utilização por parte dos consumidores. Política de preços: de acordo com o Observatoire de la Musique, o utilizador considera que 9,99 euros por um álbum (ou 0,99 euros por um tema) é um preço muito elevado, dado a desmaterialização do ficheiro digital, e a quase ausência de custos fixos (tirando os custos iniciais de digitalização e os royalties). De facto, de acordo com várias projecções, a redução do preço de venda para metade traduzir-se-ia por uma duplicação das vendas de música através do download. É preciso abandonar a fórmula álbum/ single, e oferecer ao consumidor novos formatos inovadores, tais como uma subscrição mensal ou um conjunto de três ou seis títulos, o que permite uma melhor adequação às suas preferências. No entanto, este tipo de solução tem consequências a nível da produção musical, uma vez que a maioria dos artistas continuam a desenvolver os seus temas numa lógica de álbum.