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Clipping

09/12/2013 às 09:32

Discretamente, Verizon avança no Brasil

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

A Verizon, maior operadora dos Estados Unidos com receita operacional de US$ 115,8 bilhões, entrou no Brasil de forma discreta. Há um mês, a companhia deslocou o venezuelano Rafael Rivero de Nova York para São Paulo e o nomeou como diretor-geral para a América Latina. Além disso, reforçou o centro de dados que possui em São Paulo e agora busca parceiros para competir de forma mais acirrada nos segmentos de computação em nuvem, segurança em tecnologia, comunicação máquina a máquina (M2M) e telemática. A Verizon concentra sua atuação de telefonia para consumidores nos Estados Unidos. "Não existe um plano de oferecer esses serviços fora dos EUA no curto prazo. Mas, logicamente, no futuro essa é uma alternativa a ser avaliada", disse Mike Lanman, presidente global de vendas da Verizon.

No mercado internacional, a companhia oferta serviços para empresas. Em 2012, esse negócio gerou US$ 15,3 bilhões de receita à Verizon, com retração de 2,1% devido a uma redução na demanda por serviços de voz. A receita é pequena em comparação aos resultados totais da companhia, mas as perspectivas de longo prazo são favoráveis, disse Lanman.

Nos últimos cinco anos, a Verizon investiu globalmente US$ 80 bilhões em infraestrutura para atender o segmento empresarial. Esse volume incluiu quatro aquisições - Hughes Telematics (2012), Terremark (2011), CloudSwitch (2011) e Cybertrust (2007). Parte do recurso também foi aplicada no centro de dados e em infraestrutura no Brasil e na América Latina.

Lanman disse que América Latina e particularmente o Brasil tornaram-se muito importantes para a Verizon atualmente. A companhia atua na região há dez anos. No Brasil, começou a competir em 2011. "As companhias estão expandindo operações na região mais rapidamente. Por essa razão estamos fazendo mais investimentos em infraestrutura e ampliando a capacidade do centro de dados", afirmou o executivo. A companhia não informa, no entanto, o valor investido na América Latina.

Com a infraestrutura reforçada, a operadora tem como meta expandir as vendas na região. Rivero disse que já negocia com companhias de grande porte no Brasil e multinacionais que têm atuação no país o fornecimento de serviços de telecomunicações. A lista inclui infraestrutura de redes, hospedagem de infraestrutura de TI em centros de dados, serviços de segurança da informação, conexões M2M, entre outros serviços. "A América Latina e, em particular o Brasil, representa um grande potencial para a Verizon", disse Rivero. A estratégia adotada pela Verizon é similar à de outras operadoras, como BT, Vodafone e AT&T, que competem no segmento de serviços de telecomunicações e tecnologia com foco no mercado empresarial. Esse segmento cresce no país acima da média para o setor. A consultoria IDC estima que esse mercado vai gerar para as teles uma receita de US$ 40 bilhões neste ano, o que representa um aumento de 6% em relação a 2012. O valor engloba os serviços de telefonia, internet, tráfego e armazenagem de dados, entre outros.

Renato Pasquini, analista da Frost & Sullivan, disse que o mercado de telefonia fixa e móvel no país já apresenta uma competição acirrada com margens de lucro baixas. Para operadoras que chegam ao país, a melhor opção é entrar em segmentos em que a concorrência não é tão forte, ou que apresentam oportunidades de margens de lucros mais altas.

"O que se vê é a chegada de vários grupos internacionais se posicionando para atender empresas em áreas como M2M, hospedagem de sites e bancos de dados, pagamento móvel e outras plataformas", disse Pasquini. O analista afirmou ainda que a Verizon possui uma participação internacional relevante nos segmentos de M2M e segurança da informação em telecomunicações, áreas que ainda são pouco representativas no Brasil, mas que apresentam grande potencial de expansão.

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o mercado de M2M alcançou 8,2 milhões de equipamentos conectados em outubro. Mas a expectativa é que até o fim da década esse mercado supere o segmento de telefonia móvel em número de itens conectados.