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Clipping

03/11/2012 às 08:21

Economia criativa e revitalização do porto: foco da Secretaria de Cultura

Escrito por: Cristina Tardáguila
Fonte: O Globo Online

Quatro ações devem marcar a gestão do jornalista Sérgio Sá Leitão, carioca de 45 anos, à frente da Secretaria municipal de Cultura: a aposta na economia criativa — um pedido feito expressamente pelo prefeito Eduardo Paes —, a revitalização da Zona Portuária através da cultura, a abertura definitiva da Cidade das Artes, na Barra, e a “transparência total das ações de fomento”, que ocorrerão unicamente por meio de editais. Segundo Sá Leitão, que aceitou na noite da última quarta-feira substituir o produtor cultural Emilio Kalil, seu modelo de gestão será semelhante ao do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, de quem foi chefe de gabinete e secretário de políticas culturais. Sua ideia é implantar na cidade “a filosofia do planejamento e da preocupação com resultados”.

De Los Angeles, onde participa do American Film Market, Sá Leitão contou ao GLOBO que pode continuar na presidência da RioFilme, acumulando funções. No currículo do jornalista, está também uma passagem pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), onde foi assessor da presidência e diretor.

Como e quando recebeu o convite para assumir a Secretaria de Cultura?

Na noite de quarta-feira, antes de eu embarcar para os Estados Unidos, o prefeito me pediu que passasse no gabinete dele para uma conversa e me fez o convite. Conversamos sobre qual seria o projeto para a secretaria, o que ele queria que fosse feito, e eu aceitei o desafio. Marcamos de acertar os detalhes, inclusive o dia da posse, na minha volta, na próxima quinta-feira. Até lá, vou fazer meu planejamento, preparar propostas e planilhas para debatermos.

O prefeito fez algum pedido especial para a nova gestão?

Sim. Quer que a secretaria incorpore a economia criativa, que é algo que já está previsto no Planejamento Estratégico da cidade para 2013-2016. Estou entusiasmado com isso. Economia criativa é um assunto ao qual eu me dedico pelo menos desde 2003. (Em maio de 2006, Sá Leitão foi nomeado assessor da presidência do BNDES e um dos responsáveis pela criação do Departamento de Economia da Cultura do banco.)

E, objetivamente, quais são suas metas para os próximos anos?

Vou seguir o caminho trilhado por Barcelona e apostar na cultura como forma de revitalização da Zona Portuária. Acredito também na ideia de que a gestão tem que ser transparente e republicana, e a forma de conseguir isso é determinando que 100% do fomento seja alocado por meio de editais. Também vou implantar em grande escala o programa Cultura Viva, com os pontos de cultura. Quero, com isso, apoiar todas as manifestações e grupos culturais, sobretudo nas comunidades. Há, nas favelas, uma cultura potente, pulsante. Temos que empoderar essas pessoas.

E com relação ao orçamento da pasta? Está satisfeito?

Tivemos um avanço relevante para 2013 com a alocação de 1% da arrecadação de ISS. Foi um compromisso de campanha do prefeito que ele cumpriu. A mensagem que o Executivo mandou à Câmara deve resultar em R$ 50 milhões a mais na pasta, que já tem cerca de R$ 200 milhões. Aliás, assim que assumir, vou à Câmara lutar para que a lei seja aprovada ainda este ano. Em miúdos, ela estabelece uma nova mecânica, algo parecido com a Lei Rouanet, mas melhor. Acabaria de vez com aquelas filas de produtores culturais no Centro de Artes Calouste Gulbenkian.

Como fica a Cidade das Artes na sua gestão? E a relação com o ex-secretário, que estará à frente dela?

Kalil vai para a Fundação RioArte, que vai gerir o espaço. Nosso trabalho vai ser complementar. Nesse tempo que ele ficou na secretaria, sempre estivemos muito afinados. Nós nos conhecemos na preparação do Ano do Brasil na França, quando eu estava no gabinete do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil. Sempre tivemos uma boa relação.

Quem será seu substituto na presidência da RioFilme?

Há duas possibilidades: eu indicar alguém ou acumular funções. Quando o Antônio Pedro (Figueira de Mello) assumiu a Secretaria de Turismo, ele acumulou a Riotur. Não seria uma novidade um secretário acumular funções na gestão de Paes.

O pessoal do audiovisual ganha espaço na sua gestão, certo?

Não. Meu objetivo é ser secretário do conjunto da cultura carioca. Apesar de a minha especialidade ser o audiovisual, vou trabalhar em favor da pluralidade. O prefeito disse que me escolheu para o cargo em função dos resultados da RioFilme. Quero fazer algo parecido e ampliado para toda a cultura. Vou implantar a filosofia do planejamento e da preocupação com resultados.

Como avalia o cenário cultural do Rio hoje em dia?

A cultura no Rio tem importância capital. A cidade é o principal polo de criação do país. Precisamos de uma gestão pública à altura da excelência dessa produção.

E no que se espelhará para gerir a Cultura do Rio?

O modelo será o da gestão de Gil no Ministério da Cultura.