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Clipping

16/12/2013 às 13:32

Era móvel dá mais retorno a grupos de TI do que às teles

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Econômico

O avanço dos mercados de smartphones e tablets transformou a forma como as pessoas consomem conteúdo e se comunicam. Por dia, trafegam nas redes de telecomunicações 2,5 exabytes de dados, o que equivale a 2,5 bilhões de gigabytes. Esse volume cresce em torno de 50% ao ano. Mas a atratividade que a comunicação móvel ganhou nos últimos cinco anos não se traduziu necessariamente em ganhos para as teles. O Boston Consulting Group divulga hoje um estudo mostrando os efeitos que as mudanças tecnológicas proporcionaram nas maiores empresas de tecnologia, mídia e telecomunicações do mundo. Na média, as companhias de tecnologia e de mídia ganharam mais e deram mais retorno aos acionistas que os grupos de telecomunicações.

Para David Dean, sócio do BCG em Munique, um dos fatores que contribuíram para resultados mais baixos das empresas de telecomunicações frente às companhias de TI e mídia é a extensão de seus negócios. "As operadoras enfrentam problemas porque sua atuação está mais condicionada à infraestrutura que possui em poucos países. Os grupos de mídia e TI têm mais flexibilidade para tornar seus negócios globais", afirmou. Outro problema, segundo o executivo, é que parte das companhias de telecomunicações teve dificuldades para investir mais em serviços digitais e mobilidade em lugar de ofertas tradicionais, como a telefonia fixa e mensagens para celulares.

O levantamento mostra que grandes fabricantes de computadores perderam espaço nos últimos cinco anos para fabricantes de dispositivos móveis. "É possível ver companhias que eram pequenas há cinco anos e que atualmente apresentam os maiores rendimentos", afirmou Dean. O BCG avaliou o comportamento das 191 companhias de maior porte dos segmentos de TI, mídia e telecomunicações no período de 2008 a 2012. A consultoria comparou o desempenho das empresas em termos de taxa de retorno para os acionistas, ganhos de receita, margem de lucro e geração de fluxo de caixa. Na média, os grupos de TI e mídia apresentaram indicadores de rentabilidade superiores aos dos grupos de telecomunicações. As companhias de TI proporcionaram aos investidores uma taxa anual de retorno de 23% e as empresas de mídia, uma taxa de 26%, ante 16% das teles. A variação anual de receita e de fluxo de caixa também foi maior nas empresas de mídia e tecnologia.

O BCG estabeleceu o ranking das dez companhias que mais ganharam no período de 2008 a 2012 em cada setor. Na área de tecnologia, a Catamaran - companhia canadense de software e serviços para o setor de saúde - liderou o ranking, com uma taxa de retorno para o acionista de 66,6% ao ano. Em seguida estão ARM Holdings (fabricante de chip do Reino Unido), a sul-coreana Samsung, a fornecedora americana de software e serviços Cerner, Apple, Salesforce, Tata Consultancy Services (TCS), Red Hat, ASML Holding e Teradata.

Entre esses grupos, ARM, Apple, Salesforce e Cerner já estavam entre os dez mais rentáveis no período de 2007 a 2011. No segmento de mídia, as líderes são a Starz (EUA), Tencent (Hong Kong), Naspers (África do Sul), Media Nusantara Citra (Indonésia), Time Warner Cable (EUA), Baidu (China), Global Mediacom (Indonésia) e Aegis (Reino Unido). Baidu, Tencent e Naspers também já figuravam entre as dez mais rentáveis no período de 2007 a 2011.

Dean afirmou que o crescimento da internet possibilitou um rápido avanço de companhias de mídia com atuação regional. Segundo o analista, outras empresas que hoje possuem uma atuação local ou regional ganharão posições no ranking no futuro.

No segmento de telecomunicações, as líderes em ganhos são American Tower (EUA), Telefônica Brasil, Chunghwa Telecom (Taiwan), MTN Group (África do Sul), Telstra (Austrália), Verizon (EUA), SoftBank (Japão), BCE (Canadá), Vodafone (Reino Unido) e BT Group (Reino Unido). Dessas, apenas a American Tower estava no ranking dos grupos mais rentáveis no período anterior. Para Dean, as teles ainda têm muitas chances de se tornarem mais rentáveis no futuro. "O principal desafio é que elas deixem de ser operadoras de telefonia e se transformem em companhias de serviços digitais", afirmou o analista.

Parte desses grupos já começou a ampliar a oferta de serviços, com lançamentos em áreas como pagamento móvel e aplicações ligadas à saúde. "As empresas que souberem se adaptar mais à nova demanda terão os melhores resultados financeiros", disse o executivo. Em países emergentes, especialmente Brasil e China, essa mudança no perfil das operadoras se tornará mais evidente nos próximos anos, afirmou Dean.