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Clipping

09/11/2013 às 09:02

Escritores opinam sobre publicação de biografias sem autorização

Escrito por: Redação
Fonte: G1

Polêmica sobre a publicação de livros biográficos está no STF.G1 BA ouviu autores como Állex Leilla e Joca Reiners Terron. Veja outros.

O G1 conversou com alguns autores para saber o que eles pensam sobre a publicação de biografias, independentes de autorização. A polêmica sobre a publicação de livros biográficos está no Supremo Tribunal Federal (STF). A Associação Nacional dos Editores de Livros (Ane) entrou, ano passado, com ação questionando dois artigos do Código Civil.

Um dos artigos determina que é preciso autorização para a publicação ou uso da imagem de uma pessoa. E que a divulgação de escritos, a transmissão, publicação ou exposição poderão ser proibidas se atingirem a honra, a boa fama, a respeitabilidade ou se tiverem fins comerciais. O outro artigo diz que a vida privada é inviolável.

Por meio da associação Procure Saber, um grupo de artistas defende que as biografias precisam de autorização para serem publicadas. Mas afirmam que a postura nada tem a ver com censura. Do grupo fazem parte, entre outros, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque.

Em vídeos, confira a opinião dos escritores brasileiros, entre eles, o biógrafio do guerrilheiro baiano Carlos Marighella, Mário Magalhães, e o jornalista Laurentino Gomes.

 Állex Leilla, autora de "Urbanos" : "Eu sou a favor de biografias. Para mim, é um gênero fictício, que é dominado, geralmente, por jornalistas, mas também é alvo da produção de muitos escritores", opina.

"Eu não censuraria nunca uma biografia minha. Quando tem uma coisa ofensiva, já existem leis suficientes para a pessoa entrar na Justiça e questionar aquelas questões ofensivas, caluniosas".

 

Cristóvão Tezza, autor de "O Filho Eterno": "O Brasil tem uma situação que é única no mundo, que é o único país que censura, que faz censura prévia a biografias".

"As pessoas estão entendendo mal a questão biográfica, como veículo de fofocas, vidas privadas. Na verdade, o que se trata, é do Brasil contar sua história. É um absurso uma lei menor que contraria princípio básico da Constituição, que é a liberdade de expressão".
 

Elieser Cesar, autor de "O Azar do Goleiro": "Como jornalista, sou a favor de todo tipo de liberdade de expressão. Biografia tem que ser autorizada senão vira relato chapa-branca. Você não pode escrever sobre alguém e passar pelo crivo da família da pessoa porque só vai sair aquilo que interessa", avalia.

"Ao mesmo tempo, eu reconheço que é uma questão polêmica e delicada porque também as pessoas têm o direito de preservar sua imagem.
 

Glaucia Lemos, autora de "Marce": "Fica difícil de tomar uma posição. Eu acho que quem se expõe através de uma atividade pública, o que deve fazer é se preservar muito, ter muito cuidado para que as coisas que não querem ver publicadas sejam feitas com muito cuidado, de uma forma muito particular, privada, sigilosa, para evitar esses conflitos", diz.

 

Joca Reiners Terron, autor de "A Tristeza Extraordinária do Leopardo-das-Neves": "Qualquer lei que venha a proibir a biografia seria extremamente prejudicial para o nosso autoconhecimento, para o conhecimento da nossa história", relata.

"Acho até surpreendente que nós, com um mercado editorial tão sólido como a gente tem, que já não tenhamos leis mais amplas e menos restritas, e que permitem a publicação regular desse tipo de obra", avalia.
 

Laurentino Gomes, autor de "1889":  "É uma discussão absurda. O Brasil é o único país democrático do mundo que impõe restrições às biografias não autorizadas. Do meu ponto de vista, é uma censura à produção artística, cultural e, especialmente, à imprensa, porque uma biografia é uma grande reportagem", explica.

 

Mário Magalhães, autor de "Marighella, o Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo": "Hoje, conforme a lei, ou seja, o Código Civil, um neto do lobo mau pode proibir uma biografia que diga que o avô comeu a vovozinha. É legítimo o discurso para acabar com a censura prévia a biografias para o Brasil ter uma legislação igual às das grandes democracias. Não se pode impor censura prévia", afirma.

 

Tom Correia é jornalista e colunista. Autor do livro de contos "Memorial dos medíocres", vencedor do Prêmio Braskem de Literatura. "Autorização prévia para biografia não existe. Se você quer o mínimo de qualidade, de isenção numa biografia, num trabalho sério, você não deve submeter a biografia ao crivo de pessoas interessadas, ainda que sejam da família do biografado, enfim", disse.

 

Eduardo Bueno, autor de mais de 20 livros, entre a coleção "Terra Brasilis", sobre a história colonial do Brasil. "Eu não sou historiador, mas escrevo sobre a história do Brasil. O que é a história de um país senão a sua biografia? Não só porque é a história de vida desse país, como também a história das vidas pessoas que fizeram esse país. Imagina se você vai ser tutelado ao ponto de não poder contar com a liberdade que qualquer escritor ou jornalista tem que ter e vai ter que contar só a versão oficial dessas biografias. É piada, né?", afirmou.

 

Sergio Rodrigues, é autor "Todoprosa" e "Sobre Palavras". Recebeu o Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro 2011 na categoria Literatura. "Acho que essa questão, pra mim, é muito simples. Qualquer forma de controle é censura. As biografias têm que ser livres, como a circulação tem que ser livre, a expressão tem que ser livre. Não tenho a menor dúvida quanto a isso", disse.

 

Karina Rabonovitz, autora de "O livro de água", em parceria com Silvana Resende, escreve poesias e realiza interações entre poesia e artes visuais. "Na verdade, eu não penso sobre isso. Leio bastante as opiniões diversas. eu sou muito nova ainda, não tenho nenhuma perspectiva de alguém fazer uma biografia minha, também não desejo fazer a biografia de ninguém", afirmou.