Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

17/01/2014 às 21:09

Espionagem: empresas e ONGs consideram reformas de Obama limitadas

Escrito por: Redação
Fonte: Veja (Assinatura)

Expectativa era por mais restrições aos programas de vigilância dos EUA

Empresas de tecnologia e de telecomunicações consideraram as reformas nos programas de vigilância dos Estados Unidos anunciadas nesta sexta-feira pelo presidente Barack Obama um primeiro passo. Mas acreditam que as medidas ficaram aquém das expectativas de mudanças significativas na espionagem americana.

Caio Blinder: Os calmantes de Obama

Segundo o jornal The Washington Post, as empresas de tecnologia esperavam que as mudanças fossem mais longe. "Estamos desapontados por ele não ter acabado completamente com a coleta e a análise de metadados", disse Ed Black, presidente da Associação das Indústrias de Computador e Comunicações, que tem entre seus membros Google e Facebook. Os chamados metadados são informações que podem indicar, por exemplo, quem está envolvido na comunicação, em que data ocorreu o contato, a partir de qual localidade e quanto tempo durou, sem que se tenha acesso ao conteúdo.

As companhias da área de internet pressionaram Obama por mudanças, reclamando que não puderam tornar público o número de pedidos judiciais que receberam para liberar dados de seus usuários. Desde que o ex-analista de inteligência Edward Snowden revelou o gigantesco alcance da espionagem americana, as empresas de internet têm feito um esforço para demonstrar que as informações de seus usuários estão protegidas.

Alex Fowler, chefe de políticas públicas da Mozilla, criadora do Firefox, afirmou que a expectativa era por limites à ação da NSA, a Agência Nacional de Segurança americana, e o fim da coleta de dados sem autorização. "De modo geral, a estratégia parece ser deixar os processos de inteligência atuais praticamente intactos e aumentar a supervisão. Nós esperávamos - e a internet merecia - mais. Sem uma mudança de curso significativa, a internet vai continuar seu caminho em direção a um mundo de desconfiança".

Ainda segundo o Washington Post, as empresas de telefonia não querem ficar com a responsabilidade de armazenar os dados de seus usuários por um período maior do que o necessário para os objetivos do negócio, como apontou uma associação da indústria wireless.

'Titanic' - Grupos de defesa das liberdades civis também criticaram o alcance das medidas anunciadas por Obama. "Os ajustes feitos pelo presidente Obama serão lembrados como a música do Titanic se a sua administração não adotar reformas mais profundas", afirmou o diretor-executivo da Anistia Internacional, Steven Hawkins. "Trocar o responsável por armazenar informações não resolve o principal problema: a coleta maciça de dados pessoais", acrescentou.

A União Americana de Liberdades Civis classificou o discurso de Obama de "altamente preocupante". "O anúncio trouxe reformas necessárias e que serão bem-vindas. No entanto, a decisão do presidente de não acabar com a coleta e retenção de dados é altamente preocupante. O presidente lançou um processo para estudar o assunto e parece estar aberto a alternativas, mas ele deveria acabar - e não reparar - a coleta de dados feita pelo governo. Quando o governo coleta e armazena informações sobre as chamadas telefônicas de americanos, ele está violando a Constituição", disse o diretor-executivo Anthony D. Romero.

O jornalista Glenn Greenwald, que publicou as primeiras reportagens do jornal britânico The Guardian com detalhes dos documentos vazados por Snowden afirmou que o discurso do presidente americano não esclareceu assuntos específicos. "Obama nunca escondeu a real intenção desse processo, que é restaurar a confiança pública na NSA. Em outras palavras, o objetivo não é reformar a agência, mas fazer com que as pessoas não a temam ou fiquem irritadas com ela."

Fisa - Entre as reformas defendidas pelo presidente está a criação de um painel de advogados públicos que vão representar os interesses privados da população americana junto à Corte de Vigilância da Inteligência Estrangeira (Fisa). A Corte fiscaliza a aplicação da lei que permite o recolhimento de informações em operações de vigilância. A proposta de Obama é criar uma "voz independente" para avaliar os pedidos de informações antes que eles sejam encaminhados à Fisa.