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Clipping

30/10/2013 às 09:31

Espionagem pode afetar acordo comercial EUA-UE

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

As denúncias de que o governo americano espionou líderes e milhões de cidadãos europeus podem atrapalhar as negociações entre Estados Unidos e União Europeia (UE) sobre a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos (TTIP, na sigla em inglês). Embora as discussões para a formação da maior zona de livre de comércio do planeta não devam ser interrompidas, as informações sobre a espionagem realizada pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) têm irritado autoridades e políticos europeus e ameaçam as relações bilaterais.

Em palestra em Washington, ontem, a comissária de Justiça da UE, Viviane Reding, advertiu que o fracasso dos EUA em mudar a maneira como são tratados os dados pessoais dos europeus pode afetar as discussões comerciais atualmente em curso.

"Amigos e parceiros não espionam uns aos outros", disse Viviane, que também é vice-presidente da Comissão Europeia. Segundo ela, os EUA "terão que mostrar que tratam a Europa como um verdadeiro parceiro" e que levam a sério as preocupações da UE com relação à privacidade.

"Para negociações complexas e ambiciosas serem bem sucedidas, é necessário haver confiança entre parceiros. É urgente e essencial que os nossos parceiros americanos tomem medidas claras para reconstruir a confiança", disse, em evento no centro de estudos Peterson Institute for International Economics (PIIE).

Ela reiterou que as revelações "abalaram e causaram danos" à relação entre os EUA e a UE. Denúncias recentes apontam que a premiê alemã, Angela Merkel, é espionada desde 2002, e que milhões de cidadãos franceses e espanhóis tiveram suas comunicações monitoradas pela NSA.

Para analistas, a interrupção das negociações é improvável. A consultoria de risco político Eurasia Group lembrou que a própria Merkel rejeitou suspender as conversas. Mas isso não quer dizer que as discussões para a criação da TTIP não serão afetadas. Sigmar Gabriel, líder dos social-democratas alemães, por exemplo, já disse que é complicado imaginar um acordo comercial com os EUA se a privacidade dos europeus estiver em risco. Embora as negociações devam continuar, um acordo amplo se tornou um pouco mais difícil, avaliou a Eurasia, em relatório.

Para Jacob Funk Kirkegaard, pesquisador-sênior do Peterson Institute, as denúncias de espionagem realizadas pela NSA "elevaram a barreira" para aprovação parlamentar de um acordo de livre comércio nos países da Europa.

Em entrevista ao site do instituto, Kirkegaard disse ainda que o escândalo deverá afetar a vida de empresas americanas, como Google e Facebook, que atuam livremente na Europa, já que lidam com dados pessoais de clientes.

O vice-presidente da Rock Creek Global Advisors, Michael Smart, é otimista em relação ao futuro das negociações comerciais entre EUA e UE. "Quando um assunto como esse abala as discussões entre líderes, há consequências, mas não acho que serão duradouras", disse. "Tanto os líderes americanos como os europeus querem essa negociação, e não temo que a atual controvérsia vá afetar esse esforço."

Para ele, as declarações dos líderes europeus são importantes nesse sentido. Merkel, o premiê britânico, David Cameron, e o presidente da França, François Hollande, deixaram claro que querem que a negociação continue, diz Smart. Para ele, esses líderes querem que as preocupações em relação as denúncias relacionadas à NSA sejam abordadas, mas têm feito isso pelos canais adequados, sem tentar paralisar negociações comerciais.