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Clipping

30/01/2014 às 07:05

EUA atualizarão Brasil sobre decisões de 'monitoramento', diz assessor

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Econômico - Online

Washington

O vice-assessor de Segurança Nacional para comunicações estratégicas da presidência americana, Ben Rhodes, disse nesta quarta-feira que, como os Estados Unidos tomaram muitas decisões recentes sobre "as políticas de monitoramento", é natural que queiram atualizar os brasileiros em primeira mão sobre elas.

Rhodes fez essas declarações ao tratar do encontro que o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, terá nesta quinta-feira com a assessora-chefe do Conselho Nacional de Segurança, Susan Rice. Depois das revelações de que tinha sido espionada pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês), a presidente Dilma Rousseff adiou a visita de Estado a Washington, que estava prevista para outubro do ano passado.

Segundo Rhodes, uma das mudanças que podem interessar ao Brasil é o fato de que o governo decidiu "estender algumas proteções que se aplicam aos cidadãos americanos" para cidadãos de outros países, relacionados à coleta e ao uso de metadados.

Ele lembrou ainda que também foram tomadas medidas para esclarecer que os EUA não fazem coleta de dados para obter vantagens econômicas e comerciais. "Então podemos dividir alguns detalhes com os brasileiros", afirmou ele, em entrevista coletiva a jornalistas estrangeiros. Rhodes destacou ainda que a declaração do presidente de que os EUA não vão monitorar as comunicações de chefes de Estado e de governo de países aliados e amigos próximos, a não ser que haja um imperativo de segurança nacional.

Rhodes disse que "não há segredo que alguns países que, por causa das revelações que foram feitas e também de suas próprias histórias, foram particularmente vocais em expressar as suas preocupações sobre a NSA". "Brasil e Alemanha, por exemplo, eu colocaria no alto da lista".

Nesse cenário, na reunião com Figueiredo, Susan Rice deve continuar no esforço de "tentar oferecer o máximo de informações sobre a natureza das atividades de inteligência dos EUA", afirmou ele. "Nós não esperamos que todos os países aceitem ou abracem totalmente a nossa abordagem, mas nós acreditamos que com transparência e diálogo regulares nós conseguiremos pelo menos dar maior entendimento para esses governos sobre o que estamos ou não fazendo. Com o Brasil, nós viemos por um longo caminho em termos de oferecer e dividir informações a eles, deixando claro o que é objeto de nossa supervisão e o que não é."

Rhodes acrescentou ainda que cabe à "presidente Rousseff fazer as suas próprias declarações e determinações" se está satisfeita com os esclarecimentos dos EUA. "Eu notaria que ela reconhece que as relações entre Brasil e EUA são significativas para os dois países e também para o Hemisfério. Nós temos laços econômicos e comerciais, colaborando em assuntos relacionados a energia, segurança regional", lembrou Rhodes.

"Nós não queremos ver esse debate sobre monitoramento impedir progressos em outras áreas. Nós queremos a relação de volta para um lugar em que seja possível ter essas discussões e eventualmente algumas diferenças sobre atividades de inteligência, mas perseguindo ao mesmo tempo uma agenda mais ampla."