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Clipping

15/09/2016 às 16:31

Falta dinheiro e gente para Brasil ir do consumo à produção digital

Escrito por: Luís Osvaldo Grossmann
Fonte: Convergência Digital

A América Latina em geral, e o Brasil em especial, avança a passos largos no consumo de conteúdos digitais. Seja pela facilidade de adesão a inovações ou pelo tempo dedicado à internet, a demanda anda equivalente as das economias mais desenvolvidas. Ainda assim, falta fôlego para que o país e a região se tornem significativos no lado produtivo dessa cadeia. 
 
“Na última década, a digitalização brasileira do consumo cresceu mais de 8% ao ano. Cada vez mais a digitalização do consumo vai se aproximar do que acontece nos países industrializados. Os 60% que acessam se comportam como internautas do mundo industrializado. Mas estamos atrasados na incorporação da tecnologia pelos processos produtivos. Se não trabalharmos, vamos apenas consumir o que se produz lá fora”, diz Raul Katz, consultor em telecomunicações e professor da Escola de Negócios da Universidade de Columbia (EUA).
 
Katz participou nesta quinta-feira, 15/9, de um debate sobre a economia digital promovido pela Confederação Nacional da Indústria. E dissecou as descobertas de um estudo sobre o ecossistema digital que realizou para a Cepal e a Fundação Telefônica. E resume assim: “O setor produtivo brasileiro está muito avançado na aquisição tecnológica, mas atrasado na incorporação dessa tecnologia nos processos produtivos.”
 
O problema é de fundo. Falta escala financeira e de capacidade. Enquanto um país como Israel é capaz de investir o equivalente a 818 dólares por habitante ao ano no que Raul Katz chama de ecossistema digital, ou os Estados Unidos 415 dólares, na América Latina, e o Brasil pesa nesse contexto, os investimentos não passam de 1,8 dólar por habitante. 
 
“Não há apenas o domínio internacional, temos ineficiência em como desenvolver o setor digital. Não é aversão ao risco ou medo do fracasso. Não falta criatividade. Podemos ver indicadores positivos no comércio eletrônico, por exemplo, Mas há um problema de massa crítica de investimentos. Não há investimentos suficientes. E o mesmo vale para capital humano”, conclui Katz.