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Clipping

14/10/2013 às 23:12

Família de Leminski barra na Justiça a nova edição de biografia do poeta

Escrito por: Redação
Fonte: Gazetaweb

"Paulo Leminski - O bandido que sabia latim" foi escrito por Toninho Vaz

A família de Paulo Leminski conseguiu vetar na Justiça a publicação da quarta edição da biografia do escritor "Paulo Leminski - O bandido que sabia latim", escrita por Toninho Vaz. Agora, o autor também procurou o judiciário para pedir explicações e tentar publicar o livro.

Paulo Leminski é uma das referências da literatura paranaense. Poeta, escritor, crítico literário, tradutor e professor brasileiro, Leminsiki nasceu em Curitiba e 1944 e viveu até 1989.

De acordo com Vaz, o motivo para que a família vetar a publicação está em um parágrafo, de oito linhas, que fala sobre o suicídio do irmão de Leminski, Pedro Leminiski.

"Eu fiquei sabendo pelos jornais. Nunca, nem a minha editora, falou disso. Eu fiquei sabendo pelos jornais. Aliás, ela diz que não foi comunicada dessa queixa, dessa reclamação, dessa observação", afirmou o autor.

Ele enfatiza que a família de Pedro Leminski existe e que recentemente teve contato com a viúva. "Eu não aceito ser censurado. O livro não tem editora. Eu vou aguardar agora a liberação dele pelas vias judiciais. Eu vou recorrer a um juiz para explicar a ele o que está acontecendo com o meu livro, meu trabalho. E ver se ele considera a punição procedente ou, ao contrário, se ele acha que não tem procedência nenhuma, ele me libera o livro para eu poder editar em outra editora".

A família de Leminski, por meio de nota, afirmou que não iria comentar o impasse, enquanto Alice Ruiz, viúva de Leminski, não retornar de viagem.

"Em resposta às recentes publicações sobre a nova edição da biografia "O Bandido que sabia Latim", do jornalista Toninho Vaz, as filhas de Paulo Leminski, Áurea e Estrela, declaram que aguardam a chegada da mãe, Alice Ruiz, que se encontra na Feira Literária de Frankfurt, para se pronunciar conjuntamente sobre o caso. Até o retorno de Alice, as herdeiras permanecem íntegras na defesa da honra do poeta Paulo Leminski, cientes de que a liberdade de expressão é uma conquista que deve ser sempre defendida, desde que não venha ferir preceitos éticos, o respeito à privacidade e intimidade das pessoas", diz a nota.

As discussões em torno de biografias
A elaboração de biografia cria diferentes discussões. A mais recente ocorreu no Feira do Livro de Frankfurt, que terminou no domingo (13). Vários autores presentes no encontro se disseram contra o posicionamento do grupo "Procure Saber", formado por vários músicos e compositores, que defendem direitos autorais. Eles chamam de censura a proposta do grupo de que biografias tenham que ser autorizadas e que as personalidades retratadas sejam remuneradas.

O grupo "Procure Saber" defende a proibição de biografias não autorizadas pelos biografados ou por suas famílias, em caso de morte. Estes artistas se baseiam nos artigos 20 e 21 do Código Civil Brasileiro, de 2002. O artigo 20 determina que o uso da imagem de uma pessoa pode ser proibido ou gerar a "indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais". Já o artigo 21, dispõe que "a vida privada da pessoa natural é inviolável". O grupo é coordenado por Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano Veloso, assinado por vários artistas, como o próprio Caetano, Roberto Carlos, Djavan, Gilberto Gil, Chico Buarque e outros.

De acordo com biógrafo Ruy Castro, a questão sobre biografias autorizadas precisa ser melhor entendida no país. Segundo o autor, para que uma biografia seja autorizada não basta que haja somente um acordo entre biógrafo e biografado. Ele argumenta que antes de o livro ir para gráfica, o texto seria submetido ao personagem em questão ou os advogados dele para que os trechos que não são de agrado sejam suprimidos. "Se isso não se chama censura prévia, eu não sei mais português", pontua.

Um dos casos de maior repercussão no país envolvendo brigas judiciais e obras biográficas ocorreu com o livro "Estrela Solitária", de autoria de Ruy Castro. A publicação, segundo o próprio autor, retrata problemas que Garrincha enfrentou com a bebida. Castro diz que um dos objetivos era justamente acabar com o estigma que existe em relação ao alcoolismo e aos alcoólatras, mas o conteúdo desagradou as filhas do jogador.