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Clipping

04/10/2013 às 00:31

Fundos estatais ainda não decidiram se vão investir

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Econômico - Online

O governo federal não deu qualquer orientação direta aos fundos de pensão estatais Previ e Funcef sobre a participação no aumento de capital previsto na fusão entre Oi e Portugal Telecom.

Segundo autoridade envolvida nas discussões, não há decisão se os fundos vão acompanhar ou não os demais acionistas, mas a tendência é que a avaliação seja restrita ao negócio e à estratégia de investimentos de cada uma das instituições.

Um interlocutor dos fundos afirmou que o foco dos investimentos no momento é infraestrutura, até mesmo por orientação do governo. Nesse cenário, faria pouco sentido que Funcef e Previ se esforçassem para manter na CorpCo - nome provisório da empresa que surgiu da fusão entre os dois grupos - o mesmo nível de capital que têm hoje na Oi.

Além disso, segundo a autoridade ouvida pelo Valor, a operação foi desenhada de tal forma que se sustente sem participação dos fundos estatais ou do BNDES - uma das condições impostas pelo governo.

A participação "estatal" na Oi é hoje de 13%. Se não acompanharem o aumento de capital, Previ, Funcef e BNDES ficarão com uma parcela de apenas 4,5% do capital da nova companhia.

A fusão foi bem-recebida em Brasília, que participou das conversas e enxerga na operação a chance de "uma empresa melhor". A visão é que a Oi, além da dívida elevada, tem gestão ruim e é uma empresa pesada. A Portugal Telecom trará ganhos de tecnologia e principalmente gestão.

A dívida da Oi subiu de R$ 25 bilhões para R$ 32 bilhões nos 12 meses encerrados em junho. Juntas, as duas companhias terão um endividamento total de R$ 45,6 bilhões com base em dados de junho para uma receita de R$ 12,5 bilhões em 12 meses. Essa relação, que chega a 3,7 vezes, ainda fica um pouco acima do que é o limite máximo considerado razoável pelos investidores.

Não há no governo expectativa de ganhos de curto prazo nos preços ou serviços. O prazo estimado para que a operação seja concluída é de aproximadamente um ano, e o governo espera que nesse período o investimento tenha algum aumento e os ganhos da fusão comecem a aparecer, mas reconhece que os resultados crescerão com o tempo.

A fusão entre as duas empresas também resolve um problema político para o governo. Em 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou a Lei Geral de Telecomunicações para permitir o nascimento da Oi, que integraria o grupo das empresas "campeãs nacionais". A política industrial do governo estimulou a participação acionária do BNDES em empresas nacionais na esperança de que se tornassem grandes atores em seus mercados. O caso da Oi foi um dos que não deu certo. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, já anunciou que o banco deixou de lado essa orientação de investimentos.

A CorpCo possibilita uma saída de mercado para a Oi, e evita que o governo tenha que se envolver diretamente na solução.

A fusão prevê uma capitalização de R$ 14,1 bilhões na Oi. Boa parte será feita com ativos da Portugal Telecom, que estão estimados entre R$ 5,8 bilhões e R$ 6,4 bilhões. Da parcela em dinheiro, R$ 2 bilhões estão garantidos pelo BTG Pactual e demais sócios brasileiros. O restante virá de captações no mercado por meio de uma emissão de ações.

Por Leandra Peres | De Brasília