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Clipping

13/01/2014 às 08:00

Gênero da autoficção vira tendência na literatura contemporânea

Escrito por: Redação
Fonte: Correio Braziliense Online

O termo autoficção foi usado pela primeira vez por Serge Doubrowsky, no romance Fils, em 1977, para conceitualizar o conjunto de obras literárias que apresentam passagens da vida

Autores de ficção quase sempre se deparam com a pergunta dos leitores: "Essa história é sobre você?". Em alguns casos, de fato, o traço autobiográfico se mistura à narrativa ficcional, embora muitos escritores não admitam ou se valham de técnicas sutis para suavizar nuanças das próprias histórias.

Conhecido por teóricos e críticos literários como "autoficção", o gênero no qual personagem, autor e narrador dividem o mesmo campo ficcional transformou-se em tendência da literatura contemporânea, com alguns exemplos bem marcantes, incansavelmente estudados por acadêmicos. "Lá fora, César Aira, Philip Roth, J.M Coetzee, W.G Sebald, Paul Auster, Enrique Vila-Matas e Javier Marías; e, no Brasil, Cristóvão Tezza, Márcia Denser, Silviano Santiago, João Gilberto Noll, Sérgio Sant'Anna, Marcelo Mirisola e Ricardo Lísias", cita o pesquisador Igor Ximenes Graciano.

De acordo com Igor, o termo autoficção foi usado pela primeira vez por Serge Doubrowsky, no romance Fils, em 1977, para conceitualizar o conjunto de obras literárias que apresentam passagens da vida ou, até mesmo, características físicas e psicológicas do autor em um contexto claramente ficcional.

"Saber-se fruto de uma ficção é um dos pressupostos da autoficção. Caso contrário, estaríamos diante de uma autobiografia, em que se aceita de antemão que a vida narrada corresponde à verdade dos fatos", explica Graciano, que, atualmente, faz doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal Fluminense e estuda a autoficção. "Meu interesse surgiu da leitura da prosa contemporânea que fiz tanto por motivos acadêmicos quanto profissionais, quando fiz uma consultoria para a Diretoria de Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, em 2007. Diante da reiterada aparição do escritor como personagem - quase sempre protagonista - na narrativa brasileira recente, naturalmente me questionei sobre os motivos e implicações desse fenômeno."

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