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Clipping

18/06/2012 às 11:02

Google móvel

Escrito por: Renato Cruz
Fonte: Estadão

Na tela pequena, tudo muda. Não adianta alguém clicar num anúncio e não conseguir navegar no site que está do outro lado. Esse é um dos principais desafios para o crescimento da publicidade móvel, conforme indicou o francês Karim Temsamani, vice-presidente de novos produtos e soluções do Google para as Américas, que esteve no Brasil na semana passada.

Antes de assumir a vice-presidência, Temsamani foi diretor global de mobilidade da empresa por dois anos. Atualmente, esse é um negócio de US$ 2,5 bilhões por ano para o Google. "Hoje, todo mundo tem um supercomputador no bolso", diz o executivo. "Nosso grande esforço agora é para que as empresas tenham sites preparados para a mobilidade. Queremos incentivar a criação de ecossistemas móveis fortes."

Para endereçar esse problema (e acelerar o seu próprio crescimento na venda de anúncios para celulares), o Google criou uma iniciativa chamada GoMo (contração de "Go Mobile", ou torne-se móvel), para que as empresas possam avaliar a adaptação de seus sites para as telas de celulares.

"Da perspectiva das companhias, o impacto da mobilidade acontece no ponto de vendas", afirma Temsamani. "O consumidor sempre pode, por exemplo, consultar o preço dos produtos que quer comprar."

Existem alguns pré-requisitos para um bom site móvel. Além de carregar rápido, o dono do smartphone deve ser capaz de navegar por ele sem ter de ampliar as páginas. O Google afirma que 61% dos usuários provavelmente não voltam a um site que não seja preparado para o acesso via celular.

A computação está se tornando cada vez mais móvel. No fim do ano passado, havia cerca de 6 bilhões de telefones celulares no mundo. Desse total, 15% eram de terceira geração (3G). Ou seja, preparados para a navegação na internet. Menos de 1% era de quarta geração (4G), que permite banda larga de verdade no aparelho.

"O 4G é crítico para levar os dados para a nuvem", diz Temsamani, reunindo, numa frase, duas das principais tendências atuais da tecnologia da informação e das comunicações. Quanto mais rápida a comunicação, mais aplicações e informações podem ser mantidas na nuvem, na rede formada por servidores espalhados pelo mundo.

"Com o 4G, as pessoas passam a ter acesso a serviços rápidos de dados, a um preço mais acessível", afirmou o executivo. "A tecnologia permite serviços como os de tradução simultânea no celular." As operadoras de telefonia apostam muito na transmissão de vídeo em tempo real no celular, o que não costuma funcionar direito no atual 3G.

Chegada. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) leiloou na semana passada as licenças para o 4G. As empresas Claro, Vivo, Oi e TIM compraram licenças para cobrir o País, enquanto a empresa de TV via satélite Sky e a Sunrise, que pertence ao bilionário George Soros, ficaram com licenças regionais.

A data-limite para a chegada dos serviços por aqui é abril de 2013, nas cidades-sede da Copa das Confederações. Mas algumas operadoras não descartam lançar o 4G ainda este ano. A velocidade teórica (conseguida em laboratório) do serviço é de 100 megabits por segundo (Mbps). Comparada a de 1 Mbps do acesso típico em 3G, é um enorme avanço. Apesar disso, nos Estados Unidos, país em que o 4G está mais bem difundido, as velocidades costumam ficar entre 5 e 12 Mbps.

"Existem oportunidades tremendas no Brasil", disse Temsamani. Em abril, havia 253 milhões de acessos celulares no País, sendo que 18% eram 3G. Mas, enquanto o mercado total de celulares cresce 19% ao ano, segundo a consultoria Teleco, o 3G avança muito mais: em abril, o crescimento em 12 meses chegou a 37,5%.

O 4G promete trazer uma nova onda de investimento para o mercado brasileiro de telecomunicações, que não tinha um incentivo forte para investir desde a chegada do 3G no País, em 2008.

Tecnologias. O Google trava uma guerra com a Apple pelo mercado de smartphones. Seu software Android é o sistema operacional dos principais concorrentes do iPhone, da Apple. Está nos tablets e smartphones da linha Galaxy, da Samsung, no Kindle Fire, tablet da Amazon e também em incontáveis aparelhos chineses de baixo custo que inundam o mercado.

Mas o principal negócio do Google é a venda de publicidade digital. E, nessa área, a empresa é agnóstica. Ela defende que os sites estejam prontos para o iPhone e para o Android, para o BlackBerry (da RIM, que tem um sistema operacional próprio) e para a Nokia (que usava o sistema operacional Symbian e depois passou para o Windows Phone, da Microsoft).

"O Android e a Apple garantem uma experiência melhor", disse Temsamani. Isso é importante para o Google porque as pessoas passam a usar mais a internet em seus celulares e, assim, começam a ver (e a clicar em) mais anúncios.

No primeiro trimestre, segundo a consultoria Gartner, o Android estava em 56,1% dos 144,4 milhões de smartphones vendidos em todo o mundo. Em segundo lugar, ficou o iPhone, com 22,9%, seguido do Symbian (sistema que vai ser descontinuado pela Nokia), com 8,6%.

Um desafio importante das empresas, segundo o vice-presidente do Google, é criar uma experiência que funcione nas quatro telas: o computador, o celular, o tablet e a televisão. Uma anunciante tem de cuidar do específico sem perder de vista o global. "Os usuários querem uma experiência contínua, mas o que essas quatro telas oferecem é bem diferente."