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Clipping

18/09/2009 às 05:45

Governo da Argentina vence primeiro round

Escrito por: Redação
Fonte: Zero Hora

Câmara aprovou Lei de Serviços Audiovisuais, que agora vai para o SenadoA batalha foi longa (cerca de 14 horas) e tumultuada – as tropas inimigas se retiraram antes do confronto final. Mas o governo da Argentina saiu do embate travado na Câmara dos Deputados com o que queria: a aprovação da Lei de Serviços Audiovisuais, na madrugada de ontem.

Foram 146 votos a favor, três contra e um protesto na forma de ausência: a oposição se recusou a votar. Alegando “violação das normas de funcionamento” da Casa, os deputados da oposição se retiraram antes da votação.

– Novamente, o kirchnerismo violenta as regras democráticas. Talvez, diante disso, a Suprema Corte avalie que essa lei não é legítima – afirmou o deputado oposicionista Francisco De Narváez.

Ciente de que ainda terá de enfrentar outro combate – o projeto precisa ser aprovado agora pelo Senado –, a presidente Cristina Kirchner já começa a articular estratégias para uma vitória definitiva. A principal delas diz respeito ao vice-presidente do país e presidente do Senado, Julio Cobos. Crítico conhecido das medidas governistas, ele se posicionou de forma contrária, no ano passado, ao projeto de lei que aumentava os impostos sobre as exportações agrícolas.

Na tentativa de evitar novo fogo amigo, a presidente estaria planejando estender as viagens programadas de forma a não estar no país durante a votação no Senado. Cobos seria obrigado a assumir provisoriamente a presidência do país. Assim, José Pampuro, um fiel aliado dos Kirchner – Cristina e o marido, o ex-presidente Néstor Kirchner –, ficaria temporariamente na presidência do Senado.

Na Câmara de Deputados, a presidente precisou recuar em dois pontos cruciais: retirou a autorização para que as companhias telefônicas entrassem no mercado de TV a cabo e aceitou reduzir a participação do governo na entidade que decidirá sobre as concessões. A mudança ocorreu depois de a Casa Rosada perder parte do apoio que tinha devido à megaoperação de inspeção fiscal realizada contra o diário Clarín e diretores do grupo de mídia, na semana passada.

Se tiver de ceder também no Senado, Cristina poderá ter de suavizar as normas que visariam a “desmonopolizar’’ o setor. Para a imprensa local e a oposição, “a lei garante aos empresários amigos do poder” a compra das emissoras que seriam colocadas à venda pelos atuais donos. É o que diz o colunista do La Nación Adrián Ventura.

– A estratégia oficial é óbvia: preparar uma base de apoio da mídia para a campanha presidencial de 2011 – observa o analista internacional e diretor do Instituto de Planejamento Estratégico, Jorge Castro.