Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

03/10/2013 às 00:31

Governo vai avaliar a operação, diz ministra

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Econômico - Online

A união entre a Portugal Telecom e a Oi foi recebida com cautela em Brasília, por representantes do governo e autoridades reguladoras. Ontem, a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse que o governo vai avaliar se há algum impedimento legal para a transação. A ministra afirmou que o governo não sabia se a união vai se concretizar efetivamente, e evitou fazer maiores comentários porque o assunto não foi comunicado oficialmente ao Palácio do Planalto. "Nada aportou por aqui concretamente", disse.

Na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), nenhum documento sobre a transação havia sido protocolado até a tarde de ontem, segundo o órgão regulador. De acordo com um conselheiro da agência, a expectativa é que a operação seja aprovada sem ressalvas, uma vez que a Portugal Telecom não tem outros ativos no Brasil e os controladores permanecem os mesmos. "É uma operação importante, que vai dar fôlego à Oi, não só na recapitalização e na diminuição da dívida, como na melhora do nível de governança da empresa, que vai migrar para o Novo Mercado", disse o conselheiro ao Valor. "A fusão garante a perpetuidade da empresa e a sua capacidade de gerar inovação no médio e longo prazos", afirmou.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse ter recebido a notícia sobre a fusão na terça-feira à noite, horas antes do anúncio, e que não havia tido tempo de ler o fato relevante. Por esse motivo, ainda não tinha condições de avaliar o caso com profundidade.

Desde junho, apurou o Valor, o ministro tinha informações de que a companhia portuguesa planejava fazer uma capitalização na Oi, embora não tivesse, na época, detalhes sobre o como o negócio poderia ser delineado.

Na ocasião, os sócios majoritários da Oi - os grupos Andrade Gutierrez e La Fonte (Jeireissati) - apresentaram a Bernardo o nome de Zeinal Bava como novo presidente da operadora, além de mostrar, em linhas gerais, os planos da Portugal Telecom para a companhia.

Desde junho, o governo já sabia que o BNDES e os fundos de pensão que participam do capital da Telemar, controladora da Oi - Previ, Funcef e Petros -, não estavam interessados em acompanhar a Portugal Telecom em um eventual aporte de capital na operadora brasileira. Andrade Gutierrez e Jereissati também não tinham planos de aportar capital, mas havia o receio de que se tornassem minoritários.

A chegada de Zeinal Bava à Oi, um movimento que marcou o início do avanço português na operadora, foi avaliada de maneira positiva pelo ministro na época. Em junho, Bernardo disse a interlocutores que a Oi precisava de uma gestão competente e de atualização tecnológica para acompanhar o investimento das outras operadoras. A percepção no Ministério das Comunicações era que de que a Oi estava ficando para trás e que Bava precisava costurar uma estratégia que aliasse os investimentos com o pagamento das dívidas.

Bava, que comandava o comitê de tecnologia, inovação e engenharia da Oi, pareceu ao governo um bom nome para iniciar uma nova fase na companhia. Além disso, o executivo já conhecia a empresa, não precisava ser "aculturado", poderia ir direto aos pontos fracos.

Por Claudia Safatle, Daniel Rittner, Rafael Bitencourt e Daniele Madureira | De Brasília e São Paulo