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Clipping

01/11/2013 às 09:57

Grupo ouviu consultor sobre biografias

Escrito por: André Miranda
Fonte: O Estado de S. Paulo

Especialista em crise, Mário Rosa sugere que marca Procure Saber seja abandonada

Em meio ao debate sobre as biografias não autori­zadas, um especialista em gerenciamento de crises chegou a ser consultado para opinar sobre os próximos pas­sos que deveriam ser adotados pelo grupo Procure Saber, do qual fazem parte Roberto Carlos, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil, entre ou­tros astros da MPB. Na semana passada, tanto Antonio Carlos de Almeida Castro (conhecido como Kakay) quanto Dody Si­rena, respectivamente o advo­gado e o empresário de Rober­to Carlos, ligaram para o con­sultor de imagem Mário Rosa pedindo sugestões de como agir. Kakay é quem, hoje, con­duz as decisões do grupo na polêmica sobre as biografias.

Dias depois da consulta, em caráter informal, Roberto Car­los deu uma entrevista ao pro­grama "Fantástico" da TV Globo, e um vídeo com Roberto, Gilberto Gil e Erasmo Carlos dando depoimento foi divulga­do na internet: em ambos os ca­sos, um tom mais conciliador foi adotado, em defesa de uma solução intermediária entre a proteção à privacidade e o direi­to à liberdade de expressão.

— Eu não fui contratado pelo Procure Saber. Dody e Kakay são meus amigos de anos e me perguntaram o que eu achava.

O que eu disse é que a tempera­tura estava alta demais, e que is­so não colaborava para o deba­te. A polêmica foi desgastante, e me parece que eles não imagi­navam que sua posição seria encarada como se eles fossem a favor da censura. Então o que eu sugeri é que eles deveriam adotar um tom conciliador e evitar o confronto, mas eles pró­prios já tinham se dado conta disso — diz Mário Rosa, autor de livros como "A era do escân­dalo" e "A reputação na veloci­dade do pensamento" (ambos da Geração Editorial).

Mário Rosa chegou a esboçar o texto que seria lido pelos artis­tas na internet, mas garante que "nenhuma palavra" do que ele escreveu foi utilizada, apesar do tom semelhante. Com experi­ência em crises como a passa­gem do controle do grupo Pão de Açúcar para a companhia francesa Casino, ele avalia que a rejeição pública à opinião dos artistas do Procure Saber na po­lêmica das biografias não vai manchar suas trajetórias.

— A régua que o público usa para medir um ídolo é diferente da usada para as outras entida­des. Como eles têm um crédito tão gigantesco com a opinião pública, coisas assim se diluem em meio ao que eles já fizeram de positivo — afirma Rosa. — Mas acho que é diferente com a marca Procure Saber. Se fosse uma empresa, certamente eles fechariam essa marca. A per­cepção dela, hoje, é muito nega­tiva. Eu não a usaria mais.

O próximo passo do Procure Saber é se preparar para a audi­ência pública, marcada para os dias 21 e 22 deste mês, no Supre­mo Tribunal Federal (STF). Cor­re, no STF, uma Ação Direta de inconstitucionalidade movida pela Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel) contra os artigos do Código Civil que possibilitam que um biógrafo ou seus herdeiros impeçam a publi­cação de uma biografia. •