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Clipping

26/08/2016 às 17:46

Internet das Coisas: Brasil precisa fazer para não perder lugar na história

Escrito por: Luís Osvaldo Grossmann
Fonte: Convergência Digital

Em mais de 20 anos de internet comercial, o Brasil não produziu sequer uma única empresa de classe global no mercado em rede. Meio que a partir dessa triste, porém nada surpreendente, constatação, um grupo de centros de estudos e pesquisas em tecnologia partiu para a elaboração de uma estratégia nacional para a internet das coisas, o embrião de um guia para que o país não perca mais uma vez seu lugar no trem da história. 
 
Liderado pelo Cesar, de Recife, com a participação de outras instituições do próprio Porto Digital, mas também da gaúcha Tecnopuc e mesmo com participação internacional (o dinamarquês CIFS), o documento ‘IoT – Uma estratégia para o Brasil’ frisa de pronto que “uma política brasileira para internet das coisas tem que fazer uma análise aprofundada deste problema e descobrir se há como, por que meios e a que custo mudar tal cenário”.
 
Faz todo o sentido. Como aponta a proposta, a IoT é “um fenômeno emergente de grande significado técnico, social e econômico”, com projeções de 100 bilhões de dispositivos conectados e impacto superior a US$ 11 trilhões nos próximos dez anos. 
 
“Nossa tese é de que há cinco dimensões básicas para serem estudadas em detalhe quando se discute a Internet das Coisas no Brasil – e o que deveríamos fazer para que a IoT fosse importante para o país”. São elas a “complexidade” do problema e do fenômeno econômico; “produtos intensivos” em “serviços”; “governança” e “competências” para o desenvolvimento desse ambiente de conectividade ubíqua. 
 
Complexidade porque “qualquer tentativa de desenhar, implementar, operar e avaliar políticas públicas para a IoT deverá assumir a priori a natureza complexa do fenômeno da IoT no mundo, bem como a necessidade de uma gestão estratégica do seu desenvolvimento num país complexo como o Brasil”. 
 
Os dois pontos seguintes apontam para ser “determinante eque esse ecossistema seja levado a desenvolver plataformas globais de produtos, processos e serviços, e que essas plataformas sejam baseadas em sólidas arquiteturas industriais e de negócios”. 
 
A “governança” talvez seja onde o Brasil tem as melhores experiências positivas, a partir da bem sucedida experiência do Comitê Gestor da Internet. “Tal experiência é uma herança que não se pode perder no desenho futuro de políticas públicas para a IoT no país”, sem desconsiderar “estudar os erros que foram cometidos e como eles podem ser evitados nesta nova rodada da rede”. 
 
Já a questão das “competências” traz à tona um velho gargalo. “Uma política nacional de Internet das Coisas terá que tratar desde o problema básico de formação de capital humano nas universidades, escolas técnicas (e, no ensino médio, discutir o problema de introdução de linguagens de programação no currículo...) até a cadeia de problemas associada à criação de negócios inovadores, passando pelo desenvolvimento de capacidades e soluções inovadoras, em escala de país e global, em volume e qualidade de mundo, para que o Brasil tenha chances no mercado global”. 
 
Em síntese, a proposta é de uma estratégia nacional para IoT baseada em três pilares: 
 
1) Consolidar um Ecossistema de IoT no país que possa desenvolver Plataformas de produtos e serviços globais no território nacional, e que estejam assentadas em sólidas Arquiteturas de padrões, tecnologias e negócios; 
 
2) Direcionar o foco da atenção, dos programas, planos e projetos deste Ecossistema de IoT para a combinação do Setor de Indústria com o Setor de Serviços da economia brasileira, identificando oportunidades e superando gargalos nos serviços habilitados por produtos que se relacionam com a indústria, a agropecuária e, retroativamente, com o próprio setor de serviços; 
 
3) Criar condições para que os novos negócios gerados pelo novo Ecossistema de IoT no Brasil, por um movimento de trickle-down a partir dos Serviços, aumentem a produtividade de todos os setores da economia.