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Clipping

24/11/2015 às 13:26

Jornalistas do 'La Nación' protestam contra editorial sobre a ditadura; diário responde

Escrito por: Renata Mielli
Fonte: Portal Imprensa

Jornalistas repudiaram editorial do 'La Nación' e fizeram protesto na redação

Jornalistas do jornal La Nación, considerado um dos principais veículos da Argentina, decidiram se reunir na última segunda-feira (23/11) para protestar contra um editorial publicado pelo próprio diário, um dia após à eleição de Mauricio Macri à presidência do país.
 
Intitulado "No Más Venganza" (Chega de Vingança), o texto pede o fim dos julgamentos de repressores durante a ditadura (1967-1983), alega que os processos são "atos de vingança" e que os opositores do regime são "terroristas".
 
O editorial comemora o fim do kirchnerismo e diz que o novo governo pode iniciar o "sepultamento" das políticas "vingativas" de direitos humanos de Néstor e Cristina Kirchner, que suspenderam indultos e estimularam investigações.  
 
O repúdio dos jornalistas ao texto começou nas redes sociais e ganhou notoriedade quando os repórteres Hugo Alconada Mon e Martín Kanenguiser, principais nomes do jornal, publicaram mensagens contra o editorial.
 
Mais tarde, os profissionais se reuniram na própria redação para uma foto. Na imagem, é possível vê-los com cartazes acompanhados de frases como: "eu repudio o editorial". A fotografia foi publicada junto com um comunicado elaborado pelos funcionários. 
 
"Rejeitamos a lógica que construiu o editorial de hoje, que em nada nos representa ao equiparar vítimas do terrorismo do Estado e as ações da Justiça para reparar crimes contra a humanidade com castigos a presos comuns e com uma 'cultura de vingança'", defenderam. 
 
Resposta
 
Nesta terça-feira (24/11), o La Nación publicou em sua edição impressa e online a reação dos jornalistas e a resposta do jornal, reforçando que o texto não expressa a opinião de qualquer funcionário da empresa, mas, exclusivamente a do próprio diário.
 
A publicação pede desculpas à senadora Norma Morandini, mencionada no texto, uma vez que ela alegou que o editorial não reflete sua opinião sobre o assunto. O La Nación cita algumas das críticas que recebeu, pelos jornalistas, por políticos e entidades.
 
Em seguida, esclarece que, na verdade, o texto não defende que julgamentos sobre a violação dos direitos humanos sejam suspensos, mas ao contrário, condena o terrorismo de Estado e questiona tais grupos que atuaram na década de 70.
 
"O editorial exprime a necessidade de resolver a situação de sofrimento dos condenados, processados e suspeitos de crimes cometidos durante os anos de repressão ou que estão presos, e que se coloque um fim nos 'atos de perseguição'", completa.