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Clipping

12/04/2013 às 10:06

Marta decide levar políticas do livro de volta a brasília

Escrito por: Maurício Meireles
Fonte: O Globo

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, decidiu levar de volta para Brasília as políticas de livro e leitura, que eram atribuição da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio. Marta convidou José Castilho Marques Neto, presidente da Editora Unesp, para reassumir o cargo de secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). Ele havia deixado o cargo há dois anos como protesto pela transferência das políticas para o Rio de Janeiro.

A mudança ocorre depois da demissão de Galeno Amorim da FBN e no momento em que o Brasil se prepara para ser o país homenageado na Feira de Frankfurt, maior salão de negócios do mercado editorial do mundo. A ministra decidiu que a FBN continuará responsável por coordenar a ida a Frankfurt, em outubro, e continuará cuidando dos os programas de internacionalização da literatura brasileira.

A partir de agora, uma prioridade do PNLL é transformar o Plano Nacional do Livro e Leitura em lei, já que hoje ele é instituído por um decreto presidencial. Castilho também tentará criar o Fundo Setorial Pró-Leitura, um projeto de 2004 de recolher 1% sobre a receita de livrarias, distribuidoras e editoras para investir em incentivo à leitura.

- Esse projeto perdeu o bonde. Desde 2004, quando os livros foram desonerados, o preço deles caiu 44%. Qualquer mudança do tipo vai fazer os preços subirem e está na contramão da política econômica. Isso vai refletir no setor do mercado que mais cresce, que são as edições populares - diz Sônia Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores (SNEL) e vice-presidente do Grupo Record.

As políticas de livro e leitura estavam na Biblioteca Nacional desde junho de 2012, por determinação da ex-ministra Ana de Hollanda, que nomeou Galeno Amorim presidente da FBN. A gestão de Amorim foi marcada por conflitos com funcionários, que acusavam o ex-presidente de negligenciar graves problemas estruturais da biblioteca. As acusações se agravaram depois de casos de queda de reboco da fachada, de um vazamento que molhou centenas de jornais e revistas do acervo e da queima do ar condicionado, que completa quebrado em maio. Em 2012, a FBN só cumpriu 82 metas das 242 previstas, segundo o relatório de gestão. A crise culminou na demissão de Amorim, no dia 27 de março. Ele será substituído pelo cientista político Renato Lessa.

O relatório de gestão também mostra que a mudança para o Rio causou problemas. A Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) não tinha espaço físico para trabalhar. Seus 80 funcionários ficavam espalhados por várias unidades da FBN. A mudança ainda vai levar para Brasília unidades que sempre foram atribuição da Biblioteca Nacional, como o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler) e o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas.

A Biblioteca Nacional tem R$ 70 milhões já previstos para reformas. O prédio-sede passará, este ano, por obras de modernização e restauração. Serão reparados telhados e fachadas, substituídas redes elétricas, hidráulicas e de refrigeração e haverá a reforma do depósito de 16 mil m² na Zona Portuária. O ar-condicionado original estará consertado até julho.