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Clipping

12/02/2014 às 07:00

Mercosul fará acordo contra espionagem internacional

Escrito por: Redação
Fonte: O Globo Online

Texto prevê proteção de dados e menor dependência de tecnologia estrangeira

BRASÍLIA - Alvo da espionagem de órgãos de inteligência dos Estados Unidos, o Brasil negocia com os demais países do Mercosul um acordo inédito, a ser fechado na próxima cúpula do bloco, em Caracas, na Venezuela. O texto prevê que sejam estabelecidas estratégias comuns para proteger as informações desses países. Também prevê a aplicação de políticas que reduzam a dependência de tecnologia estrangeira, especialmente a americana.

Atualmente, segundo o texto do acordo que está sendo negociado, 86% dos conteúdos consultados na região estão arquivados fora da América do Sul. Isso compromete a soberania dos países do Mercosul e "impede (o bloco de) assegurar a integridade e a disponibilidade desses conteúdos". Entre as medidas em discussão está a criação de infraestrutura com pontos de acesso regionais que fortaleça a independência e o intercâmbio seguro de dados entre os países do Mercosul.

As negociações abrangem, ainda, o fortalecimento das redes de comunicações do Mercosul e a implantação de mecanismos de certificação para autenticação, assinatura eletrônica e textos cifrados no intercâmbio entre as plataformas tecnológicas de países da região.

Entre as ações de curto prazo está a implementação de centros de dados para o armazenamento e a distribuição de conteúdos entre os países-membros do Mercosul. Além disso, serão estabelecidos instrumentos comuns na luta contra os delitos cibernéticos.

A reunião de cúpula de chefes de Estado do Mercosul não tem data certa para acontecer. Devido principalmente a problemas de agenda dos presidentes, o encontro, que deveria ter sido realizado em dezembro do ano passado, foi adiado três vezes. A expectativa é que ocorra mês que vem.

Apesar das incertezas quanto à reunião, as negociações em torno da segurança cibernética continuam intensas, desde que os presidentes do bloco divulgaram, em julho do ano passado, um manifesto repudiando a espionagem promovida pelos EUA sobre os países da região.

A indignação dos chefes de Estado foi motivada por uma reportagem do GLOBO, publicada meses antes, mostrando que cidadãos e empresas que usam no Brasil a rede mundial de internet são espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA, em conjunto com a CIA.

Existe um consenso entre os líderes da região de que, com o crescente uso das tecnologias de informação e comunicação para o manejo de dados, tanto públicos como privados, é necessário ter estratégias comuns. Porém, eles reconhecem que o desenvolvimento da conectividade dos países do Mercosul custa caro e deve incluir a otimização de custos de transporte e da própria largura da banda. Assim, será possível garantir a geração, o armazenamento e a distribuição dos conteúdos regionais.