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Clipping

05/10/2011 às 12:17

Momento decisivo para o Ginga

Escrito por: Redação
Fonte: Instituto Telecom

Depois de muita pressão da sociedade civil e do setor acadêmico, o Ginga - um software intermediário que permite o desenvolvimento de aplicações interativas para a TV digital – finalmente tem uma chance de se tornar realidade para os brasileiros. Para tal, é preciso que a população manifeste apoio ao item 2 da Proposta 062/11 da Consulta Pública 08, que teve início em 19 de setembro de 2011 e termina nesta terça-feira, dia 04 de outubro.

O Instituto Telecom alerta para o fato de que somente com a aprovação do item será possível garantir efetivamente o acesso da população a essa tecnologia. A consulta estabelece metas relevantes como a garantia de que 75% dos televisores com tela de cristal líquido (LCD) devem vir com o middleware nacional a partir de janeiro de 2012 e 100%, a partir de 2013.

Resultado de vários anos de trabalho árduo de equipes da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Ginga foi feito especialmente para atender a condição tecnológica e social brasileira. O Ginga possui especificação aberta, de fácil aprendizagem e livre de royalties, permitindo que todos os brasileiros produzam conteúdo interativo. Esta característica abre uma vasta gama de novos serviços, como a oferta de guias eletrônicos de programas, o acesso e a proteção de conteúdo, a distribuição de jogos eletrônicos e principalmente o acesso a serviços de utilidade pública, como bancários, educacionais e serviços de saúde e governo, entre outros.

O Ginga já foi adotado por diversos países na América Latina (Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai, Costa Rica) e é reconhecido, inclusive, pela União Internacional de Telecomunicações (UIT). Surpreendentemente, o que poderia ser um papel estratégico num cenário de mudanças trazidas pela convergência digital até agora parece estar engessado e ainda luta por um reconhecimento mais efetivo em nosso país.

O debate da TV Digital e com ela o Ginga, não pode ficar à espera do apoio das duas grandes indústrias envolvidas na transição do sistema – os fabricantes de aparelhos e as emissoras. É preciso pressionar a realização e aprovação de consultas públicas, como a 08, que tratem diretamente do interesse público e da inclusão digital do país. E por que não utilizar a própria TV pública para induzir a aplicação e novas pesquisas sobre a interatividade?

A sociedade civil não pode abrir mão desta tecnologia. A implantação da TV digital não pode ser confundida apenas com alta definição ou mobilidade, nem ficar a mercê dos fabricantes de equipamentos e dos radiodifusores. Os primeiros não querem embarcar o Ginga nas TVs e, os últimos, não estão interessados em produzir conteúdo interativo.

O governo criou regras importantes como a do Processo Produtivo Básico da TV Digital – que obriga, desde janeiro, a inclusão de conversores nos aparelhos de 26 polegadas ou mais – na tentativa de abrir caminho para tornar o Ginga compulsório. A consulta pública 08 do MDIC aprofunda este caminho.

O Instituto Telecom defende que as metas definidas para a TV digital façam parte do Plano Nacional de Banda Larga. Além de auxiliar na universalização do serviço de banda larga, poderemos, por meio da convergência digital e da interatividade, dar cidadania e democratizar o acesso a serviços básicos e informações.

O Instituto Telecom enviou e-mail para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior apoiando a consulta pública e incentiva que todas as entidades e pessoas interessadas façam o mesmo. O endereço eletrônico é cgice@mdic.gov.br . Apoie a entrada do Ginga em todas as TVs digitais produzidas no Brasil em 2012 e 2013.