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Clipping

19/09/2013 às 09:04

Movimentos sociais cobram popularização da arte em Parintins

Escrito por: Movimento Parintins sem Fantasia
Fonte: Brasil de Fato

Um grupo de manifestantes ocupou, na segunda-feira (16), o prédio do Liceu de Artes Cláudio Santoro (Bumbódromo), no centro de Parintins (a 400 km de Manaus, Amazonas), com objetivo de cobrar do governo do estado a popularização de investimentos em cultura no município. A proposta foi dialogar acerca da reforma da Casa de Cultura da Ilha Tupinambarana, que está localizada ao lado do Bumbódromo e teve a construção abandonada há duas décadas e meia.

A ação foi coordenada pela Central de Movimentos Populares de Parintins, com sede nas dependências da Casa da Cultura, que reúne professores, artistas, músicos, historiadores, pesquisadores em folkcomunicação e membros do movimento feminista local. A proposta foi tentar um diálogo com o governador do Amazonas, Omar Aziz, e o prefeito de Parintins, Alexandre da Carbrás, no sentido de fomentar a reforma do espaço.

No protesto, foi realizado “apitaço” durante as falas do Secretário de Cultura, Robério Braga, e do governador Omar Aziz, na tentativa de chamar atenção contra o descaso com os movimentos artísticos populares de Parintins. Policiais militares e guardas da segurança particular do governador foram acionados para tentar impedir a entrada de manifestantes no Bumbódromo. O clima ficou tenso quando o governador denominou de “desqualificados” os manifestantes.

As críticas dos manifestantes foram direcionadas à centralização dos investimentos em cultura em Parintins, onde este ano apenas para a reforma do Bumbódromo foram investidos R$ 50 milhões — R$ 32 milhões inicialmente planejados e mais R$ 18 milhões em aditivos para a obra. “A Casa da Cultura, onde deveria funcionar um espaço de popularização artística, está em ruínas e não há interesse em revitalizar o ambiente. Esse era o momento para tratar sobre a reforma do prédio”, afirmou o professor Lucas Milhomens, docente da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Black Blocs da ilha

Um grupo de músicos e ativistas que participava de forma pacífica da manifestação quase foi barrado na entrada do Bumbódromo. A PM fez um cordão de isolamento e tentou impedir a inserção deles no protesto. Houve princípio de conflito. A situação foi contornada após intervenção de membros da Central de Movimentos Populares de Parintins.

“Eles estão se servindo de seu direito de expressão. Representam o movimento Black Bloc local e cobram de maneira democrática a diversificação da cultura. Não são adeptos da violência e por isso não podem ser silenciados pela força do Estado”, enfatizou a arte-educadora Elizandra Silva.

Entenda o caso

A Casa da Cultura, localizada no Centro de Parintins, foi ocupada em 22 de agosto deste ano (no Dia do Folclore), por grupos de pesquisadores e ativistas em arte e cultura do município. A ideia foi chamar a atenção do Poder Público para a necessidade de reforma e ampliação dos espaços culturais.

A perspectiva da Central de Movimentos Populares de Parintins é enfatizar a necessidade de popularização da cultura na Ilha Tupinambarana. “O boi-bumbá é importante para a cidade, mas há inúmeras manifestações artísticas tão populares quanto o boi e que merecem ter apoio, sobretudo para fortalecer a diversidade cultural”, disse o professor e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rafael Bellan.

O outro lado

Integrantes da Central de Movimentos Populares de Parintins solicitaram audiência com Omar Aziz para discutir a popularização da cultura em Parintins, mas não foram atendidos. Eles também tentaram entregar uma pauta de reivindicações para o governador. Entretanto, não houve respostas acerca da recepção do documento.