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Clipping

04/10/2013 às 07:03

Mudança na Itália eleva chance de venda da TIM

Escrito por: Redação
Fonte: Estadão

Presidente da companhia italiana renunciou ao cargo ontem depois de se desentender com acionistas sobre futuro da empresa

Com a saída, anunciada ontem, do principal executivo da Telecom Itália, Franco Bernabè, ganha força dentro da companhia italiana a ideia de vender ativos no exterior para reduzir a dívida bilionária do grupo - estratégia que inclui a venda da TIM no Brasil. A renúncia do presidente ocorre dez dias depois de a espanhola Telefônica ter anunciado a intenção de ampliar sua fatia no bloco de controle da Telecom Itália, tornando-se a maior acionista da companhia italiana.

Ontem no fim do dia, o conselho de administração da tele italiana elegeu Marco Patuano, executivo que trabalha na empresa desde a década de 1990, como novo presidente. A expectativa é de que ele traga um novo plano comercial para a Telecom Itália, que inclui uma série de "desinvestimentos", coisa que Bernabè não admitia fazer, mas que era o desejo dos principais acionistas da empresa.

Além de se opor à venda de ativos, o executivo de 65 anos, que trabalhava na companhia há seis, estava buscando apoio para realizar uma emissão de ações e levantar 5 bilhões. Durante sua gestão, a dívida da Telecom Itália foi reduzida em 8 bilhões. Apesar disso, em suas mãos, a empresa também perdeu 75% de seu valor de mercado. A companhia agradeceu o executivo por sua contribuição e concordou em pagar US$ 9 milhões por sua saída.

A partir de agora no comando, Patuano terá a tarefa de reduzir a dívida de 29 bilhões da companhia, que é uma das maiores empregadoras do setor privado italiano. Além disso, terá de reverter anos de crescimento fraco. "O grupo tem um forte potencial. Acredito que sua administração atual poderá desenvolvê-lo", disse Gaetano Micciche, membro do conselho de administração após a reunião.

"A saída dele reforça a tendência de consolidação da Telefônica, o que deve levar à venda da TIM", afirmou o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude. Com a conclusão do negócio entre Telefônica e Telecom Itália, o grupo espanhol se tornaria dono de duas empresas no Brasil, a TIM e a Vivo, criando uma sobreposição de mercado. "Para a Telefônica seria mais interessante vender a TIM e reduzir sua dívida", afirmou.

Para o professor da Fundação Getúlio Vargas e ex-conselheiro do Cade Arthur Barrionuevo, o fato de o mesmo grupo não poder ter duas licenças no mercado brasileiro geraria um conflito regulatório e concorrencial, obrigando as empresas a encontrar alguma alternativa. Para os italianos, segundo ele, é essencial fortalecer as operações locais, o que abriria espaço para a venda de ativos no exterior.

No Brasil, Vivo e TIM juntas dominariam 55% do mercado de telefonia celular. Isso dificilmente teria o aval da Anatel, dizem fontes de mercado. Dessa forma, a saída seria obrigar a Telefônica a se desfazer das operações da TIM. Outra alternativa seria a divisão da TIM entre os concorrentes nacionais.

Cade. No início desta semana, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve analisar a compra da Telecom Itália, pela espanhola Telefônica. Na semana passada, o ministro havia sido desautorizado pela presidente Dilma Rousseff a falar do assunto.

"Acho que a presidente está totalmente (correta). O Cade tem de analisar essa questão da regulação do mercado", disse o ministro. Segundo ele, o governo vai se posicionar sobre a questão após as empresas comunicarem a nova formação societária. Nesta semana, outro negócio de peso movimentou o setor de telecom no Brasil, com a fusão da Oi e da Portugal Telecom.

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS