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07/01/2014 às 10:02

No Dia do Leitor, veja dica de "Guia de Leitura"

Escrito por: Redação
Fonte: Folha Online

O Dia do Leitor é comemorado no Brasil em 7 de janeiro. Para a data, a Livraria da Folha selecionou um trecho de "Guia de Leitura: 100 Autores que Você Precisa Ler", organizado por Léa Masina. O escritor escolhido foi Aldous Huxley.

O livro apresenta os escritores que marcaram a história da literatura, da Grécia antiga ao século 20. Os textos que compõem a edição foram escritos por críticos literários, jornalistas, escritores e professores.

Além de uma breve biografia, traz as principais obras de cada um dos cem ilustres reunidos no livro. Abaixo, leia o trecho sobre Huxley.

ALDOUS LEONARD HUXLEY
Godalming, Inglaterra, 1894
Los Angeles, EUA, 1963

De ilustre família inglesa, estudou em Eton e Oxford, bacharelando-se em Letras. Dedicou-se à literatura, publicando inicialmente poemas. Viveu na Suíça e nos Estados Unidos, escrevendo sobre assuntos variados. Sua curiosidade levou-o a conhecer outros países, dentre os quais o Brasil. Além disso, submeteu-se a experiências pioneiras sobre a expansão da consciência, ingerindo alucinógenos. Culto e requintado, Huxley publicou uma série de romances nas décadas de 1930 e 1940, criando uma técnica experimental que envolvia a discussão de ideias. A crítica aponta em sua obra a antecipação da contracultura das décadas de 1960 e 1970, tais como a rejeição ao consumismo, a inclusão de tendências anarquistas, o interesse pelo Oriente e as experiências místico-visionárias. Um de seus romances mais conhecidos,

Admirável mundo novo", é um libelo contra a fé no progresso científico e materialista que, para o escritor, esmaga a individualidade.

OBRAS PRINCIPAIS: "Contraponto", 1928; Admirável mundo novo, 1932; Sem olhos em Gaza, 1936; O macaco e a essência, 1949; A ilha, 1962

ALDOUS HUXLEY
por Patrícia Lessa Flores da Cunha

Escritor inglês de grande sucesso junto ao público, especialmente durante as décadas de 1920 a 1940. Nesse período, escreveu romances, contos e ensaios que repercutiram no ambiente literário de sua época. Foi contemporâneo de Virginia Woolf, Katherine Mansfield, Dorothy Richardson, James Joyce, D. H. Lawrence, entre outros não tão conhecidos do leitor brasileiro, pertencendo, pois, a uma geração de autores inovadores e contestadores, a dos anos de 1920, considerados "anos heroicos" no cenário da literatura inglesa moderna, por recolocarem, de forma revulsiva, transcendendo fronteiras e linguagens, a Inglaterra na vanguarda da cultura ocidental.

De origem aristocrática, autor reconhecidamente controvertido, "modernista", Aldous Huxley foi, de certo modo, desprezado pelos companheiros do círculo literário da época, sendo esnobado até pelo famoso grupo de Bloomsbury, que não via com bons olhos a receptividade de que gozavam seus escritos, principalmente entre os jovens. Nesse sentido, até hoje permanece um escritor cult.

Apesar disso, ou por isso mesmo, a crítica sobre Aldous Huxley é de difícil acesso; ele foi o que pode ser considerado um escritor de época. A seu tempo bastante discutido, rebatido e interpretado, pouco se encontra hoje sobre suas obras, embora, paradoxalmente, tenha sido dos primeiros escritores a se preocupar com a trajetória do homem contemporâneo, à medida que ele mesmo se deixava impregnar pelo ceticismo e pela angústia diante dos cada vez mais complicados maniqueísmos da sociedade do século XX.

Como escritor, Huxley era um homem de ideias, sabendo manipulá-las tão bem a ponto de incendiar os espíritos mais audazes com o efeito de sua expressão artística. Enquanto viveu, foi o centro de polêmicas: muito de seus escritos vieram a adquirir matizes proféticos com o advento de importantes descobertas científicas, como são os casos notórios de Admirável mundo novo e O macaco e a essência. Sob esses aspectos, insere-se também na corrente ficcional partilhada com George Orwell e H. G. Wells.

No entanto, Contraponto é o grande livro de Huxley, pelo menos o que lhe trouxe maior fama. Escrito em 1928, pretendeu ser algo novo, embora para muitos seja uma continuação, talvez mais bem desenvolvida, de ideias anteriormente propostas por André Gide em Os falsos moedeiros (1925). A ideia básica do romance - e que, em certa medida, explica o título - é a simultaneidade dos eventos em si: diferentes pessoas percebem diferentemente as mesmas situações, tendo como produto final a multiplicidade que compõe o universo, porém de maneira orgânica e estável. Assim, as personagens estão sempre se contrapondo, ou melhor, o autor as contrapõe em um esquema que lembra o jogo científico de ação versus reação.

Outra "novidade" que o texto de Huxley apresenta, também relacionada com a estrutura da narrativa, é o uso do flashback: determinado incidente, às vezes ao final, outras vezes no meio de um capítulo, serve para iniciar, no narrador, um movimento retroativo, com o que busca estabelecer, frequentemente, a progressão temporal da história. Esse recurso de recuperação da memória quase sempre se cruza com o outro, já mencionado, da simultaneidade. Na verdade, existem em Contraponto dois movimentos distintos, mas entrelaçados na continuidade da ação: um caracteriza o prolongamento do eixo temporal, mediado pelas idas e vindas da lembrança; outro provoca o adensamento da noção, através do confronto das várias percepções diante do mesmo fato.

Essa constatação muitas vezes perturba o leitor, pois são tantas as personagens do romance, e o procedimento tão utilizado através delas, que se chega a considerá-lo banal. No entanto, em Huxley, tudo tem razão de ser: a sua concepção artística é extremamente racional, como bem demonstra o seu texto. O movimento da narrativa pode ser confuso, mas também é sobretudo real: o autor consegue, com êxito, indicar avanços e démarches da existência humana no seu cotidiano.

Entre suas obras mais conhecidas, além das anteriormente referidas, citam-se ainda Crome Yellow (1921), Antic Hay (1923), e o ensaio "Heaven and Hell" (1956).

GUIA DE LEITURA
ORGANIZADORA Léa Masina
EDITORA L&PM Editores
QUANTO R$ 21,90 (preço promocional*)