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Clipping

01/11/2013 às 00:02

Novo alvo, China critica espionagem americana

Escrito por: Redação
Fonte: Estadão

Acusada pelos americanos de 'ciberespionagem', Pequim pede explicações a Washington, que teria usado embaixadas na Ásia para roubar dados

WASHINGTON - Alvo de constantes queixas americanas por supostos ataques cibernéticos, a China engrossou na quinta-feira, 3, o coro dos países que pedem explicações aos EUA em razão da atuação da Agência de Segurança Nacional (NSA), ao lado de Indonésia, Tailândia e Malásia.

O grupo reagiu a revelações de que embaixadas em várias cidades da região foram usadas como base de espionagem em ação conjunta de EUA, Austrália, Grã-Bretanha, Canadá e Nova Zelândia, em uma operação de inteligência que seria conhecida como "5-olhos".

Com base em documentos obtidos pelo ex-técnico da NSA Edward Snowden, as informações foram divulgadas pela revista alemã Der Spiegel e o jornal australiano Sydney Morning Herald.

O porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying, disse que a segurança cibernética é uma questão de soberania nacional, posição semelhante à que o Brasil adotou depois da revelação de que os EUA monitoraram comunicações da presidente Dilma Rousseff. Segundo Hua, o governo reforçará a segurança eletrônica em resposta às ações de Washington e de alguns de seus aliados na região.

Um mapa divulgado pela Der Spiegel mostra o que seriam 90 pontos de coleta de informações em consulados e embaixadas dos EUA em cidades da China e do Sudeste Asiático. Segundo reportagem da agência de notícias australiana Fairfax, fazem parte do programa de inteligência representações diplomáticas do país em Bangcoc, Jacarta, Pequim, Hanói, Díli, Kuala Lumpur e Porto Moresby, em Papua Nova Guiné.

Citando fonte não identificada do serviço de inteligência australiano, a Fairfax afirmou que os postos interceptavam chamadas telefônicas e comunicações pela internet em toda a Ásia.

Na Indonésia, o chanceler, Marty Natalegawa, afirmou que a prática é inaceitável. "Se confirmada, essas ações não apenas violam a segurança, mas representam um sério desrespeito à ética e às normas diplomáticas e, certamente, não se adequam ao espírito de relações amigáveis entre nações", disse.

A porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Caitlin Hayden, disse que não comentaria casos específicos, mas lembrou que Washington está revendo suas atividades de inteligência ao redor do mundo. Entre outros pontos, o país está analisando a espionagem sobre chefes de Estado.

"Os EUA consideram seriamente as preocupações da comunidade internacional e realizam consultas regulares com os parceiros afetados", disse Hayden. A reação global às ações da NSA começou no Brasil, se espalhou pela Europa e chegou à Ásia. Sucessivas reportagens realizadas com base nos documentos de Snowden mostram uma prática indiscriminada de coleta de dados, com milhões de comunicações monitoradas, incluindo as de líderes de pelo menos 35 países.

Na quarta-feira, o chefe da NSA, Keith Alexander, afirmou que são "falsas" as reportagens sobre a espionagem de cidadãos europeus. Segundo ele, as informações foram coletadas por agências de inteligência europeias e repassadas aos EUA.