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Clipping

25/08/2010 às 04:24

Novos serviços de TV por assinatura aumentam opções de canais no telefone celular

Escrito por: Guilherme Neves
Fonte: Zero Hora

Programação específica para telas menores é um dos desafios do novo serviço

Desde os tempos em que era um móvel na sala de estar, a televisão afinou, encolheu e saiu de casa. Hoje, basta um celular com receptor de TV digital para se assistir à TV gratuitamente em qualquer lugar. Reforçando a tendência de mobilidade, operadoras de telefonia têm apostado numa transmissão alternativa: a TV móvel paga.

Os modelos são diferentes. A TV móvel tem planos específicos e depende do download de um programa que é instalado no aparelho. A digital é gratuita, e exige um celular com um chip específico para ser utilizada. A programação disponível também muda. O sinal digital transmite a grade das emissoras abertas. A móvel inclui canais da TV por assinatura.

Apesar das diferenças, o coordenador do Fórum Brasileiro da TV Digital Terrestre (SBTVD), Frederico Nogueira, avalia que os dois formatos se unem para colocar a televisão no mesmo caminho da popularização de outro aparelho, o rádio:

– Hoje, o rádio está em qualquer lugar: casa, carro, celulares com receptores FM. A TV deve seguir a mesma direção, e os modelos pagos reforçam essa tendência.

Na opinião de Nogueira, espaço para crescimento existe. Segundo o SBTVD, 6 milhões de aparelhos que captam o sinal da TV digital, entre celulares, televisores e conversores, serão vendidos até o final do ano no Brasil. Além disso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), indica que o Brasil chegou, em julho, a mais de 187 milhões de celulares.

– Há 10 anos, quando começamos a pensar na TV digital brasileira, não existia essa base de clientes móveis. Mesmo assim, já víamos a mobilidade como uma tendência para a TV – relembra a coordenadora do módulo técnico do SBTVD, Ana Eliza Faria e Silva.

A TV móvel é oferecida hoje pelas operadoras Claro, Vivo e TIM. Os planos incluem a contratação de canais por 30 minutos, duas horas e até um mês. Novos pacotes estão em estudo pelas operadoras, que até o final do ano planejam relançamentos de seus produtos, com o objetivo de atrair mais clientes.

Para Alberto Magno, dono da empresa M1nd, que presta serviço para a TIM TV, o gosto do público brasileiro precisa ser melhor explorado:

– Temos de aprimorar a grade de canais e aproveitar a programação de esportes, canais adultos e infantis. É preciso atender o gosto do cliente para emplacar a TV móvel.

TV no celular exige adaptações
Apesar da disponibilidade, a TV no celular ainda tem seus obstáculos. Con- teúdo adaptado para as telas pequenas é um deles. Uma partida de futebol pela TV móvel, hoje, nem sempre vai permitir aos espectadores enxergar a bola nas diminutas telas de celulares.

– A adaptação do conteúdo ao tamanho do display é uma das preocupações. Cenas com muitos detalhes perdem o sentido nas telas menores – diz Ana Faria e Silva, do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD).

Ana Eliza não vislumbra, no entanto, uma adequação geral dos produtos. Uma novela não teria uma versão convencional e outra para os celulares. Ela aposta na transmissão de clipes de personagens e pequenas filmagens curtas para os telefones. Um novo produto, adaptado do ponto de vista da captação e da linguagem visual, seria necessário tanto no modelo gratuito quanto no pago. Apesar de necessária, a mudança não deve ocorrer a curto prazo na TV digital, já que a prioridade das emissoras tem sido a adequação técnica às exigências da transmissão.

Mesmo sem as adaptações, o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) Marcelo Knorich avalia que os dois modelos de TV no celular – pago e aberto – são positivos para o consumidor. Em São Paulo, um telefone com receptor de sinal digital capta 11 canais gratuitamente, segundo o SBTVD. Os serviços de TV paga oferecem entre oito e 15 canais.

– Você acaba criando o mesmo conceito da TV (convencional), em que há a aberta e a por assinatura. O resultado é a diversidade de opção – diz Knorich.

Para desfrutar dos dois modelos, Knorich salienta que o consumidor deve estar atento a aparelhos prontos para ambas as tecnologias. Ou seja, com o receptor de TV digital e compatibilidade com o software da TV paga.

Além disso, a TV aberta com qualidade digital no celular ajudará a baixar os preços da TV móvel paga:

– Quando se tem um conjunto acertado de condições técnicas se cria mercado e competição. Cabe ao consumidor escolher – diz Knorich.