Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

03/10/2013 às 00:31

O artífice da fusão entre Portugal Telecom e Oi

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Econômico - Online

Nascido em Moçambique, mas de nacionalidade portuguesa, Bava vai comandar a companhia resultante do acordo

A esperada - e muitas vezes desmentida - operação de fusão entre a Oi e a Portugal Telecom já vinha sendo desenhada há meses por um grupo de bancos. A proposta começou a ficar madura há três meses, depois de Zeinal Bava, presidente da Portugal Telecom, assumido o comando das duas operadoras.

O plano dos controladores de desenhar uma reestruturação societária começou a ser definitivamente formatado quando entrou em cena um presidente com apoio de todos os sócios majoritários.

O mesmo não ocorreu com Francisco Valim, que antecedeu Zeinal no comando da Oi. Valim foi convidado para o cargo muito pouco tempo depois de a Portugal Telecom entrar no grupo de controle da operadora brasileira e logo ficou identificado como um executivo que não tinha sido escolhido pelos portugueses.

Entre janeiro e junho, a Oi ficou sob um presidente interino, José Mauro Mettrau Carneiro da Cunha, que deixou a presidência do conselho de administração e assumiu o comando executivo. Nesse período, Zeinal já era apontado como o candidato mais forte à sucessão. A seu favor, tinha uma trajetória de sucesso na companhia portuguesa. Além disso, a avaliação era de que seu nome seria o melhor por que estava se aproximando a data da fusão entre a Portugal Telecom e a Oi.

Zeinal Abedin Mohamed Bava, de família muçulmana sunita, nasceu em Moçambique, mas tem nacionalidade portuguesa. Independentemente da origem, o comportamento é britânico. Cauteloso, o executivo chegou a deixar de participar dos comitês da empresa quando cresceram os desentendimentos entre Valim e os executivos portugueses presentes na Oi.

Após se formar em engenharia eletrônica pela University College of London, Zeinal fez carreira no mercado financeiro. Atuou em companhias como Merrill Lynch, Deutsche Morgan Grenfell e Warburg Dilloon Read. Morou 31 anos em Londres. Atuou na montagem da operação de compra da Telesp Celular pela Portugal Telecom e Telefônica. Foi dele a apresentação feita no Copacabana Palace, no Rio, em 1998, quando as duas companhias divulgaram o projeto para o Brasil.

Zeinal era presidente da divisão de telefonia celular da Portugal Telecom quando, em 2007, atendendo ao desejo do governo português e de acionistas controladores, o conselho de administração evitou a tomada hostil do controle da empresa pela também portuguesa Sonae.

Na época, Zeinal trouxe mais um sócio para a empresa. Era Carlos Slim Helú, lider das comunicações mexicanas e frequentador assíduo do topo da lista dos mais ricos do mundo. Com 5% de participação, o voto de Slim foi decisivo para evitar a mudança de controle. A Sonae foi obrigada a desistir.

Zeinal assumiu a presidência da Portugal Telecom em 2008. Em 2010 veio novo embate. A espanhola Telefónica buscava um modelo de negócios para unir a telefonia fixa e celular no Brasil e o sócio português na Vivo atrapalhava.

Após tensas negociações, a Portugal Telecom obteve, por sua participação na Vivo, um valor superior ao das apostas do mercado. No mesmo dia, anunciou dois grandes negócios no Brasil: vendeu por ? 7,5 bilhões a participação na Vivo para a Telefónica e comprou 22,4% da Oi, por R$ 8,4 bilhões. Capitalizou a Portugal Telecom e iniciou o processo para ampliar internacionalmente a presença portuguesa.

Por Heloisa Magalhães | Do Rio